, 27 de Abril de 2013

Sagração da Primavera

A portuense Casa da Música abriga no fim-de-semana de 10, 11 e 12 de Maio um ciclo dedicado ao jovem jazz europeu, com formações da Noruega, do Luxemburgo, da Bélgica, da Áustria, da Eslovénia e de Portugal . Porque estamos na Primavera, tem nome alusivo: Spring On. O painel de tendências é muito variado, indo do “mainstream” até cruzamentos com o rock, passando por abordagens mais experimentais ou influenciadas pela música erudita e pelas tradições étnicas…

O evento inicia-se na sexta-feira 10 com o duo austríaco feminino Juju, constituído pela violetista Judith Reiter e pela saxofonista e clarinetista Julia Schreitl, ambas também utilizando a voz. Trata-se de uma música de difícil categorização, ora inspirada nos clássicos, ora com desfechos inusitados, combinando composição e improvisação.

Segue-se a actuação a solo do esloveno Ziga Murko em trombone e electrónica, numa mistura de jazz com as sonoridades dos Balcãs que tem a particularidade de decorrer sobre estruturas rítmicas particularmente “groovy”.

Fecha a noite o português AP Quinteto, formação liderada pelo guitarrista António Pedro Neves com músicos formados na prestigiada ESMAE do Porto como João Pedro Brandão (saxofone alto), Alexandre Dahmen (piano), José Carlos Barbosa (contrabaixo) e José Marrucho (bateria). Promete-se um jazz lírico, mas sincopado.

No dia seguinte, o palco abre com o trio de Jeff Davis, vibrafonista canadiano que vive no Porto desde criança. Com ele estarão o argentino, mas também há muito radicado em Portugal, Damien Cabaud no contrabaixo e o baterista Marcos Cavaleiro. Os parâmetros da prestação serão, curiosamente, os do trio de piano jazz, segundo os exemplos de Bill Evans, Keith Jarrett e Brad Mehldau.

Depois, vez do luxemburguês Maxime Bender 4tet, com os saxofones tenor e soprano do solista denotando a sua referência em sopradores como David Binney e Donny McCaslin, mas orientados para um jazz enérgico herdeiro do free. Com ele estarão Sebastian Sternal no piano, Markus Braun no contrabaixo e Silvio Morger na bateria.

A sessão conclui-se com o mais conhecido de todos os grupos em cartaz: Bushman’s Revenge, da Noruega. O “power trio” de Helte Hermansen, Gard Nilssen e Rune Nergaard, respectivamente em guitarra, baixo e bateria, toca um metal-jazz possante e barulhento, inspirado tanto em Ornette Coleman e Albert Ayler como em Black Sabbath e nos King Crimson do período “Red”. Tiveram já uma muito aplaudida passagem pelo lisboeta Jazz im Goethe Garten...

Ziga Murko

No domingo, 12, os belgas PHD são os primeiros a subir ao palco. Com uma instrumentação invulgar de trombone (Peter Delannove), duas guitarras (Peter Hertmans e Thomas Decock), contrabaixo (Lennart Hevndels) e bateria (Matthias De Waele), a música que têm para oferecer está algures entre Bill Frisell e os Sigur Ros. O seu repertório inclui arranjos de composições litúrgicas de outros séculos, para grande efeito.

Mais adiante, um grupo do Luxemburgo que também já esteve em Lisboa, o do pianista Michel Reis com Marc Demuth no contrabaixo e Paul Wiltgen na bateria. Uma proposta de jazz contemporâneo com o formato da canção e directas ou indirectas alusões pop.

O fim do Spring On está a cargo dos noruegueses Moskus, outro trio de piano formado por Anja Lauvdal no dito, Fredrik Luhr Dietrichson no contrabaixo e Hans Hulbaekmo na bateria. É um projecto de jazz de câmara, se bem que evoluindo para situações de improvisação livre e abstracta.

Em todos os três dias, os “after-hours” são de “jam”, com os músicos participantes a encontrarem-se com os locais no Barra Bar do Porto…