, 16 de Junho de 2013

Duelo com os pássaros

A edição de 2013 do Jazz im Goethe Garten realiza-se de 2 a 18 de Julho, com concertos às terças e quintas-feiras, no aprazível jardim do Goethe Institut, em Lisboa. Mais uma vez, a programação de Rui Neves incide em formações que representam as tendências emergentes do jazz europeu. Todas as actuações estão marcadas para as 19h00, com serviço de bar. Como habitualmente, haverá escolhas de cerveja e salsicha alemã em complemento da música.

O festival inicia-se a 2 com um colectivo português: Tim Tim por Tim Tum, formado pela nata dos bateristas nacionais: Alexandre Frazão, José Salgueiro, Bruno Pedroso e Marco Franco. Na iminência de gravar um disco, o quarteto é conhecido pela espectacularidade das suas apresentações ao vivo, com alguns dos seus integrantes a trocarem, por vezes, as baquetas por outros instrumentos não percussivos. O ritmo conduzirá quase sempre a outras situações…

O dia 4 é holandês, com o Spinifex Quintet. Com a particularidade de incluir um contrabaixista português radicado nos Países Baixos, Gonçalo Almeida, os outros elementos são já importantes figuras do jazz do Velho Continente: Gijs Levelt (trompete), Tobias Klein (saxofone alto, clarinetes soprano e baixo), Jasper Stadhouders (guitarra) e Philipp Moser (bateria). Muito orientado para a improvisação, o grupo é conhecido pela intensidade das suas performances, por vezes chegando a cúmulos de visceralidade não estranhos à estética do free jazz e à energia do rock. O que toca já recebeu a designação de “math-metal”, isto é, heavy metal com estruturas “difíceis”.

A 9 de Julho o duelo com a passarada (uma característica do evento) faz-se com um projecto editado pela ECM: os suíços Third Reel, liderados pelo saxofonista tenor e clarinetista Nicolas Masson, músico que também pertence à galeria de artistas da portuguesa Clean Feed. Com ele estarão o guitarrista Roberto Pianca e o baterista Emanuele Maniscalco. Se bem que praticando igualmente um jazz aberto, a abordagem é diferente da do concerto anterior, com um particular foco na criação de espaços.

Seguem-se a 11 os anglo-noruegueses Geordie Approach, formados por Petter  Frost Fadnes no saxofone alto e na electrónica, Chris Sharkey em guitarra e electrónica e Stole Birkeland em bateria e percussão. Com uma postura tendencialmente experimental, o trio leva a sua mescla de jazz, funk e rock para os domínios do noise, se bem que um noise pontuado a “grooves”. A crítica já os definiu como um cruzamento de Scorch Trio com Supersilent «a tocarem temas de dança para frequentadores de “raves” mentalmente destruídos». Promete…

O dia 16 está entregue a uma embaixada de Itália. Jump the Shark é o quinteto do altista (saxofone e clarinete alto)Piero Bittolo Bom com Domenico Caliri (guitarras), Pasquale Mirra (vibrafone), Danielo Gallo (contrabaixo)e Federico Scettri (bateria), dedicado a continuar os caminhos abertos por Ornette Coleman, Eric Dolphy e Henry Threadgill. Espera-se um avant-jazz sofisticado, mas “quente”, com (dizem os próprios) «Nova Iorque no horizonte, Chicago atrás dos ombros e Veneza em toda a volta»… 

O fecho a 18 é germânico, com os Expressway Sketches. O trio do teclista Benjamin Schaefer, do guitarrista Tobias Hoffmann e do baterista Max Andrzejewski interpreta os “standards” do jazz numa estranha mistura com reggae e drum ‘n’ bass. Com uma entrega frenética e apostada em fazer com que os corpos mexam, mas indo o seu propósito bem mais longe do que fomentar um ambiente de festa: querem reinventar o jazz, levando para outros territórios o seu antigo espírito.