, 12 de Agosto de 2013

RIP George Duke

Há um ano, um cancro levou-lhe a mulher, Corine, a quem, aliás, acabara de dedicar um novo disco, “Dreamweaver”. Agora foi ele que partiu, por motivos semelhantes: uma leucemia linfática crónica… George Duke, membro dos Mothers of Invention no período áureo do grupo de Frank Zappa, colaborador próximo de Jean-Luc Ponty e, a solo, um dos mais importantes teclistas do jazz de fusão, rivalizando com Herbie Hancock, Chick Corea e Joe Zawinul, já não se encontra entre nós.

Nem sempre o que fez esteve à sua própria altura. A carreira de George Duke oscilou entre projectos de grande interesse musical que tiraram partido da sua técnica superior e gravações de gosto duvidoso. Também produtor, compositor e arranjador, tentou equilibrar-se entre projectos de música popular e de jazz, nem sempre salvaguardando a qualidade musical.

No final dos anos 1960 acompanhou Sonny Rollins e Dexter Gordon e gravou o seu primeiro disco. Em 1969 tocou com Ponty e foi através deste que chegou a Zappa. Ficou com este até 1975, precisamente o seu período musical mais interessante. Entre 1971 e 72 chegou ainda a tocar com Cannonball Adderley.

Depois foi gravar para a MPS em nome próprio, incorporando na sua música eléctrica e electrónica o funk, o disco-sound e a soul, numa tentativa de aproximação à cultura popular e a públicos mais alargados.

A partir de 1975, a frase que Zappa lhe dedicou em “Be-Bop Tango” («Jazz is not dead; it just smells funny») transformou-se numa infeliz realidade: A sua música tornou-se frequentemente desagradável, chegando a picos torturantes com “Brazilian Love Affair” (1979).

A partir deste período acentuou a sua actividade como produtor, conseguindo alguns êxitos pop assinaláveis (incluindo Barry Manilow, Smokey Robinson, Take 6 e Anita Baker, entre outros). Nos anos 80 o seu projecto musical mais destacado foi o duo com Stanley Clarke, consistindo numa mistura de rhythm & blues com melodias simples e muito malabarismo técnico. A ligação perdurou até à década seguinte e somou alguns êxitos nas tabelas de vendas.

Com a mudança do milénio, George Duke regressou ao piano com bandas mais jazzísticas (sem abandonar o gosto pelas canções trauteáveis) e a partir de 2008 regressou a um pantanoso jazz-funk, com discos em que tocavam autênticos batalhões de músicos. (Gonçalo Falcão)