, 11 de Dezembro de 2013

Jim Hall: morreu um inventor

Morreu ontem, 10 de Dezembro, com 83 anos um dos inventores maiores da guitarra jazz: Jim Hall. O músico influenciou várias gerações de guitarristas e ouvintes, entre os quais se destacam Pat Metheny e John Scofield. Em actividade profissional desde meados dos anos 1950, esteve envolvido na cena cool da Costa Oeste dos Estados Unidos, através de colaborações com Jimmy Giuffre, Paul Desmond e Lee Konitz.

O seu estilo de improvisação, caracterizado pela utilização do espaço e pela parcimónia na escolha das notas, aproximou-se igualmente do bebop, destacando-se a sua participação em discos como “Stitt Plays Bird” (1966), do saxofonista Sonny Stitt, e “The Bridge” (1962), de Sonny Rollins.

É fundamental mencionar-se o seu influente trabalho em duo com o pianista Bill Evans, patente em “Undercurrent” (1962) e “Intermodulation” (1966). A comunicação estabelecida entre os dois músicos, assim como a sua criatividade individual e em interacção, fizeram destes registos obras obrigatórias do universo do jazz.

A versatilidade estética e conceptual de Jim Hall levou-o também a colaborar com músicos detentores de abordagens tão diversas quanto Hampton Hawes (1956), Bob Brookmeyer (1957), Ben Webster (1960), Ella Fitzgerald (1960), Art Farmer (1962, 1963, 1964), Ornette Coleman (1972), Ron Carter (1972 e 1985), Michel Petrucciani e Wayne Shorter (1986), Paul Desmond (1995), Pat Metheny (1999), Joe Lovano, George Mraz e Lewis Nash (2000) e Greg Osby (2000), entre muitos outros.

Enquanto músico, sempre vi Jim Hall enquanto alguém envolvido constantemente num processo de busca por novas sonoridades, desafiando em todos os momentos os modelos mais convencionais da improvisação, mas remetendo-se sempre para a história do jazz enquanto ponto de referência. Este perfeito equilíbrio entre tradição e inovação são, sem dúvida, uma das marcas mais profundas que nos deixa. Para além disto, o seu espírito  musicalmente irreverente e corajoso servirá certamente enquanto inspiração a futuras gerações de músicos. (Ricardo Pinheiro)