, 23 de Fevereiro de 2014

Adeus, até ao meu regresso

A dias da sua partida para Nova Iorque, onde estará desde 24 de Fevereiro, e até finais de Maio, para desenvolver o projecto vencedor da última edição da Bolsa Ernesto de Sousa, Pedro Sousa despediu-se com um concerto na Sociedade Musical União Paredense (foto acima de Vera Valente).

Durante três meses não o ouviremos a tocar ao vivo em Portugal. Espera-o do outro lado do oceano um período de trabalho intenso na Experimental Intermedia Foundation, com o apoio do compositor e cineasta Phill Niblock e de nomes ligados à “casa” como Ron Kuivila, David Behrman e Al Margolis. Aí terá, com certeza, oportunidade para se reencontrar com Thurston Moore, o guitarrista dos extintos Sonic Youth, hoje com os Chelsea Light Moving e activo em numerosos contextos de improvisação, com quem gravou um disco que sairá por alturas do seu regresso a Lisboa.

A iniciativa decorrida na Parede, linha de Cascais, partiu da associação Cultura no Muro, e na ocasião o saxofonista tocou com Miguel Mira (violoncelo) e Afonso Simões (bateria) para uma assistência compactada no palco da renovada SMUP. Com os seus parceiros na ocasião, Sousa aproximou-se mais do que é seu hábito da linguagem do jazz, alternando entre o sax tenor e o alto, com um tipo de fraseio que só podemos comparar com o de Mats Gustafsson.

A música que se ouviu tinha um especial sentido narrativo e os três intervenientes colaram entre si desde o primeiro momento, com a secção rítmica a tecer uma base permanente de energia sobre a qual o jovem músico navegou com oportunidade e imaginação. A evolução de Pedro Sousa como saxofonista nestes últimos anos – dedicação surgida após a utilização de electrónica no contexto do trio OTO – tem sido surpreendente.

Lá para Abril saberemos como a Big Apple vai mexer mais com ele…