, 27 de Maio de 2014

Jazz im Goethe Garten: 10 anos com 11 concertos

Na sua 10º edição, o Jazz im Goethe Garten volta a apresentar as novas tendências do jazz europeu no jardim do Goethe Institut, em Lisboa. São 11 os concertos agendados para as três semanas de 1 a 17 de Julho, com serviço de bar e as cervejas e salsichas alemãs que já são da praxe neste evento que conta com a curadoria de Rui Neves. Para além do maior número de concertos, a grande novidade deste ano é a integração de um grupo vindo da Turquia.

O festival arranca no primeiro dia de Julho, às 19h00, com uma formação portuguesa. Toca o Rodrigo Amado Motion Trio com o pianista Rodrigo Pinheiro como convidado especial. É uma combinação em estreia absoluta, apesar de Pinheiro e Gabriel Ferrandini, o baterista, serem ambos membros do Red Trio, e de em outros contextos o primeiro ter colaborado tanto com Amado como com o violoncelista Miguel Mira. Espera-se uma actuação menos conotada com o free bop do que vem sendo habitual com o líder saxofonista, muito graças ao acrescento de um enorme talento do piano que se diz tão influenciado por Ligeti e Messiaen como por Thelonious Monk e Cecil Taylor.

É austríaca a formação que se apresenta à mesma hora a 2 de Julho, Weisse Wande. O actor e poeta Christian Reiner junta-se a Karl Ritter (guitarra) e Herbert Pirker (bateria) para uma sessão em que música, texto e representação se confundem, tendo como eixo a exploração vocal das características intrínsecas à língua alemã. Logo no dia seguinte, e com o mesmo horário, vez para um solo do pianista Umberto Petrin, conhecido entre nós, sobretudo, como elemento integrante da prestigiada Italian Instabile Orchestra. Um músico transalpino de nomeada que acrescenta dissonância e complexidade harmónica à tradição do jazz.

Da Finlândia vêm, a 8, os Innkvisitio do saxofonista Mikko innanen. O já nosso conhecido Frederik Ljungkvist no sax tenor e no clarinete, o teclista Seppo Kantonen e o baterista Joonas Riippa completam este projecto dedicado a uma improvisação menos alinhada com o jazz de matriz bop. No dia 9, e novamente ao fim da tarde, tocam os luxemburgueses 4s, com David Ascani (saxofones), Jérôme Klein (piano), Pol Belardi (baixo eléctrico) e Niels Engel (bateria) a oferecerem um jazz influenciado pelo rock e pela experimentação.

Logo a seguir, a 10 de Julho, apresentam-se os turcos Konstrukt. Os saxofones de Kohran Futaci, a electrónica e a guitarra de Umat Çaglar, o baixo e a percussão de Ozun Usta e a bateria de Kohran Arguden têm como propósito trazer o free jazz para o século XXI. O facto de com eles já terem tocado Marshall Allen, Peter Brotzmann e Evan Parker é uma garantia de qualidade. Há outro concerto na mesma data, já com a noite a cair, e desta feita com os noruegueses Cortex. É no legado das parcerias de Ornette Coleman e Don Cherry que agemThomas Johansson (trompete), Kristopher Berre Alberts (saxofones), Ola Hoyer (contrabaixo) e Gard Nilssen (bateria).

Os Silo são da Suíça e estarão no Campo dos Mártires da Pátria a 14, pelas 19h00. O saxofonista e clarinetista Christophe Berthet, o guitarrista Vinz Vonlanthen e um baterista que podemos ouvir também no Colin Valon Trio, Julian Sartorius, propõem uma música que tem tanto de exploratório como de “groovy”. No dia 15 teremos os Baloni do belga Joachim Badenhorst (clarinetes baixo e soprano, saxofone tenor) com Frantz Loriot na viola e Pascal Niggenkemper no contrabaixo. Cultivam um jazz de câmara feito de inquietudes, sempre prometendo desabamentos que nunca chegam a acontecer e nos captam a atenção até ao último minuto.

A 16 de Julho, vem com o seu próprio quarteto um soprano que nos habituámos a ouvir com Hugo Carvalhais, Émile Parisien. O músico francês traz consigo Julien Touéry (piano), Ivan Gélugne (contrabaixo) e Sylvain Darrifourcq (bateria). A receita é de um jazz narrativo e com muito humor. O fecho no entardecer de dia 17 faz-se com um representante germânico.: Underkarl (foto acima). É um projecto do contrabaixista Sebastian Gramss com o clarinetista baixo Rudi Mahall (sim, o parceiro de Alexander von Schlippenbach nas releituras de Monk) mais Lornsch Lehman no saxofone tenor e no clarinete soprano, Frank Wingold na guitarra eléctrica e nos gira-discos e Dirk Peter Kolsch na bateria. Jazz, rock, minimalismo e improvisação abstracta num só, e deveras curioso, formato.