, 12 de Junho de 2014

Jazz no Parque com novo figurino

O Jazz no Parque da Fundação de Serralves tem novo comissário, o ensaísta Rui Eduardo Paes, e o programa da sua 23ª edição acaba de ser anunciado. Todos os finais de tarde de três sábados e um domingo do próximo mês de Julho propõem um concerto, como habitualmente a realizar no “court” de ténis dos jardins de Serralves, no Porto. O cartaz liga o evento às linhas de orientação do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, mas sempre tendo em conta a tradição e a identidade própria do jazz.

Apostado especialmente em retratar a actualidade do jazz europeu, o “novo” Jazz no Parque abre com a actuação, a 5 de Julho, do quinteto Pata Generators, uma das variantes do projecto Pata Music de Norbert Stein, saxofonista tenor alemão inspirado nos princípios da Patafísica de Alfred Jarry que tanto influenciaram as artes ao longo do século XX e ainda nos dias de hoje. E o próprio jazz, bastando recordar que o trompetista, crítico e escritor Boris Vian era um patafísico. Michael Heupel (flautas), Ryan Carniaux (trompete), Joscha Oetz (contrabaixo) e Christoph Haberer (bateria) serão os outros concertantes.

No dia 12 estreia-se um grupo especialmente constituído para este efeito, com o português Carlos “Zíngaro” e os norte-americanos Fred Lonberg-Holm e Chris Corsano. O formato violino-violoncelo-bateria com electrónica será “extendido” com a suplementar utilização de duas guitarras eléctricas por “Zíngaro” e Lonberg-Holm. Improvisação de raiz jazz com pontes para o rock é o que se espera…

É trans-europeia a formação que se segue, a 19 de Julho. Liderado por um contrabaixista e compositor galego, Baldo Martínez, o Cuarteto Europa inclui o violinista francês Dominique Pifarely (na foto), o trombonista suíço Samuel Blaser e o baterista e percussionista (tablas, cajón) de Alicante, Espanha, mas residente em Paris, Ramón López. Trata-se de um projecto de gestação recente que alia a elegância melódica da composição à liberdade das improvisações.

O fecho acontece no dia 27 com o octeto Branches. Resulta este de um desafio colaborativo lançado a duas associações de músicos do Porto, uma com actividade nos meios do “mainstream” do jazz, a Porta-Jazz, e a outra no circuito do experimentalismo e da improvisação, a Sonoscopia. O “ensemble” formado por Susana Santos Silva (trompete, fliscórnio), Gustavo Costa (percussão, instrumentos inventados), João Pedro Brandão (saxofones, flauta), Alberto Lopes (instrumentos de corda e inventados), José Alberto Gomes (electrónica), Hugo Raro (piano), Henrique Fernandes (contrabaixo, instrumentos inventados) e José Carlos Barbosa (contrabaixo) vai inspirar a sua actuação na flora de Serralves.