, 19 de Junho de 2014

Horace Silver: morreu um pilar do jazz

Morreu Horace Ward Martin Tavares Silva (1928-2014), mais conhecido como Horace Silver. Pianista e compositor, foi uma das mais influentes figuras da história do jazz, principalmente enquanto representante da era do hard bop, que atingiu o seu expoente máximo durante a década de 1950. Filho de pai cabo-verdiano de descendência portuguesa, esteve desde cedo exposto às sonoridades de músicas como a morna e a coladeira.

Apesar de ter dado os primeiros passos na música enquanto saxofonista, através da influência de Lester Young, Silver adoptou, ainda no liceu, o piano enquanto instrumento principal. A sua abordagem eclética à performance e à composição foi o reflexo de todo um conjunto de influências, como as do bebop(especialmente através de Bud Powell e Thelonious Monk), dos blues, do boogie-woogiee música tradicional cabo-verdiana.

Após um ano de trabalho enquanto pianista do grupo de Stan Getz, entre 1950 e 1951, Horace Silver mudou-se para Nova Iorque, onde actuou com Lester Young, Coleman Hawkins, Oscar Petiford, Lou Donaldson e Art Blakey. Foi então que, em conjunto com Blakey, fundou e co-liderou os famosos Jazz Messengers até 1955. Tornou-se assim um dos mais importantes arquitectos do hardbop, tendência do jazz que combina elementos estéticos do bebop com os dos rhythm and blues e do gospel.

Foi também um dos principais responsáveis pela implementação do típico modelo instrumental de quinteto de jazz, constituído por saxofone tenor, trompete, piano, contrabaixo e bateria. Por outro lado, e ainda no âmbito do seu quinteto, acompanhou músicos que vieram igualmente a desempenhar um papel cimeiro na história do jazz, tais como Donald Byrd, Hank Mobley, Junior Cook, Art Farmer, Blue Mitchel, Woody Shaw, Benny Golson e Joe Henderson. Contribuiu também para o apuramento da composição e do arranjo no âmbito do hard bop, tendo com isto produzido repertório original basilar. Com efeito, temas como “Nica’s Dream”, “Sister Sadie”, “Señor Blues” ou “Song For My Father”, entre muitos outros, tornaram-se parte do mais elementar repertório dos músicos de jazz.

Desenvolveu uma longa relação (de 28 anos) com a editora Blue Note, tendo posteriormente gravado para inúmeras outras etiquetas, tais como a Impulse!. Por exemplo, no disco “Prescription for the Blues”, de 1997, contou com a colaboração de músicos como Michael e Randy Brecker, Ron Carter e Louis Hayes. O seu legado está patente não só nos Realbooks e na extensa discografia que nos deixou, como também no álbum de 2010 do grupo San Francisco Jazz Collective, intitulado “Live 2010: 7th Annual Concert Tour: The Works of Horace Silver Plus New Compositions”(SFJazz). (Ricardo Pinheiro)