, 5 de Setembro de 2014

Out.Fest: vem aí edição gorda

Mais uma edição “gorda” do Out.Fest, levando ao Barreiro alguns nomes grandes do jazz e da música improvisada, numa programação que passa também pelas margens do rock e da música electrónica. De 1 a 5 de Outubro, no lado Sul do Tejo apresentar-se-ão Peter Brotzmann (foto acima) com Steve Noble, Norberto Lobo, Peter Evans Quintet, Fennesz, Dean Blunt, Carla Bozulich, Rodrigo Amado Wire Quartet, Open Mind Ensemble, Faust, The Ex, Magik Markers, Putas Bêbadas, Charles Cohen e Rabih Beaini.

O duo de Peter Brotzmann e Steve Noble tocará no Be Jazz Café a 2 de Outubro. Lançado o ano passado, o álbum “I Am Here Where Are You” anuncia um pós-free jazz talvez não tão “pós” quanto isso, ou não fosse o saxofonista um dos pioneiros europeus da tendência na década de 1960. O baterista, esse, traz consigo as marcas de outro “pós” (o pós-punk), pois foi membro do grupo Rip Rig and Panic, bem como a influência da música africana (estudou com Elkan Ogunde). A título de curiosidade, refira-se que Noble tem um disco (“Once”) com uma participação portuguesa, a de Carlos “Zíngaro”, sendo outro dos músicos envolvidos nada mais, nada menos do que Lee Konitz.

O protagonista da noite de 3 de Outubro, na Casa da Cultura da Baía do Tejo, é o trompetista Peter Evans, à frente de um quinteto com Jim Black, Sam Pluta, Tom Blancarte e Carlos Homs. A música que têm para mostrar é complexa mas sugestiva, composta mas também vivida no momento, virtuosística mas quente. Todo o património do jazz está convocado, mas também elementos da música erudita contemporânea e até do rock.

O Wire Quartet do saxofonista Rodrigo Amado apresenta-se a 4 de Outubro no Be Jazz Café, completado por Manuel Mota na guitarra eléctrica, Hernâni Faustino no contrabaixo e Gabriel Ferrandini na bateria. No rescaldo da edição do primeiro disco do grupo, espera-se uma música improvisada com traços do bop e do free. Depois de intervalo, vez para o muito curioso Open Mind Ensemble, com direcção de Luís Bragança Gil e participações de Francisco Andrade (saxofonista do Barreiro), Bruno Parrinha (clarinetes), Luís Vicente (trompete), Paulo Pimentel (piano), Miguel Mira (violoncelo nas vezes de um contrabaixo) e João Lencastre (bateria). Contrastes de estilo e linguagem estarão em evidência.

Não sendo jazz, a restante programação poderá interessar aos amantes do género. A guitarra "folky" de Norberto Lobo ouvir-se-á no Be Jazz  logo depois de Brotzmann e Noble no dia 2. Fennesz abrirá a maratona de 3 de Outubro na Casa da Cultura da Baía do Tejo, com o seu “interface” de guitarra e computador e uma música feita de camadas sobrepostas com pendor melódico. Logo de seguida, na mesma sessão, um solo de Dean Blunt, músico experimental que poderá ou não entrar nos domínios jazzísticos. Numa recente actuação no Café OTO, em Londres, entrou.

A 4, no Teatro Municipal do Barreiro, a cantora e guitarrista Carla Bozulich mostra os resultados do “workshop” que conduzirá nos dias anteriores. No mesmo dia, mas no Pavilhão do G.D. Ferroviários, sobem ao palco os históricos Faust, “inventores” com os Can do chamado krautrock. Segue-se uma banda com origem no punk que vem trabalhando com uma grande quantidade de músicos de jazz e improvisadores, entre os quais Mats Gustafsson, Ken Vandermark, Han Bennink e o falecido Tom Cora: The Ex. Por fim, performam os «vândalos literados» (palavras da organização) Magik Markers e os portugueses Putas Bêbadas.

O fecho do Out.Fest acontece a 5 de Outubro, no Convento da Madredeus da Verderena, com a electrónica de Charles Cohen, inspirada em Morton Subotnick, mas também em Sun Ra e Cecil Taylor, e com o DJing de referência jazz do libanês Rabih Beaini. Para quem está em Lisboa, é só apanhar o cacilheiro…