, 9 de Outubro de 2014

Na morte de Jorge Reis

A notícia – que hoje começou a circular pelas redes sociais – surpreendeu todos os que gostavam de ouvir o saxofonista e os que com ele tiveram oportunidade de tocar, apesar de nos últimos meses se encontrar doente: morreu Jorge Reis (foto acima de Luís Garção Nunes). Assim o recorda o colaborador da jazz.pt Nuno Marinho, que com ele esteve ainda há duas semanas…

Jorge Reis nasceu em Lisboa e começou a tocar violino aos 6 anos de idade. Só aos 23 começou a aprender flauta e saxofone. Pelo caminho recolheu influências variadas da música clássica, do rock, do jazz/fusão de projectos liderados por John McLaughlin e Chick Corea, e, claro, do bebop, a linguagem que mais o fascinou.

Autodidacta no seu novo instrumento, aproveitou os conhecimentos da música clássica e frequentou vários “workshops”, nomeadamente de Pepper Adams, Rufus Reid, Roland Hanna e Sonny Fortune.

Em 1988 surgiu ao lado de Mário Laginha, Mário Barreiros e Tomás Pimentel no Sexteto de Jazz de Lisboa e, desde então, vinha colaborando com a nata do Jazz português. Fora do jazz, continuou a sua extensa lista de colaborações, demonstrando flexibilidade e genuinidade musical: Jorge Palma, Tito Paris, Delfins, Trovante, Brigada Victor Jara, entre outros.

Surgiu como professor de saxofone na Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal a convite de um seu professor/amigo que aceitara o convite para trabalhar no estrangeiro. Jorge Reis não mais deixou o cargo e, nos últimos anos, integrou o corpo docente da ESML – Escola Superior de Música de Lisboa.

Fã dos Beatles, de Charlie Parker, de Keith Jarrett, de Wayne Shorter, de Phill Woods e do Quarteto de John Scofield (com Joe Lovano no tenor), o próprio destacou a autenticidade, a expressão musical, a entrega, o lirismo e o ritmo de um músico como as características que mais admirava.

Gravou um álbum em nome próprio, “Pueblos”, e apresentou-se, recentemente, no Hot Clube com o seu quinteto, partilhando composições suas com as dos outros membros do grupo.

Jorge Reis permanecerá como uma personagem caricata do jazz português. “Bon-vivant”, bem-humorado, com um lado brincalhão e descontraído, assim era também a sua própria música, que nunca parecia sair forçada, antes relaxada, despreconceituosa e natural.

Até sempre, Jorge. (Nuno Marinho)