, 27 de Janeiro de 2015

Vem aí o Lobo Solitário

A mudança do ciclo lisboeta de concertos Nervo dos Anjos para Santos, ou mais exactamente, do CRA para a Guilherme Cossoul, não vai privar de jazz e música improvisada os frequentadores daquele primeiro espaço. Aí será a base de uma nova série de eventos, Lobo Solitário, que arranca já a 8 de Fevereiro. Na primeira parte toca Pedro Lopes a solo com os seus gira-discos e na segunda o projecto Pai de Vento, dupla constituída pelo próprio Lopes sob o nome Boreas e pelo “laptoper” Nuno Moita, com o pseudónimo Nothus. Segundo os próprios, a música que se vai ouvir passa por uma «brisa suave nos 1200 Hz, uma trovoada ritmada em 7/4 e outras intempéries de intensidade variável mas intencionalidade absoluta».

O nome Lobo Solitário deriva das próprias características de programação, que vão incidir sobre projectos «surgidos praticamente do nada», ou seja, novas formações e grupos exclusivamente pensados para o efeito. Um próximo Lobo Solitário será realizado em Abril, com cartaz a anunciar e uma filosofia condizente com a deste primeiro episódio em Fevereiro: «Depois da tempestade vem a bonança, mas nem sempre.»

Pedro Lopes é um músico português residente em Berlim, com um vasto currículo de colaborações com figuras como Carlos “Zíngaro”, Reinhold Friedl, Dj Sniff, Gabriel Ferrandini e Pedro Sousa, num percurso enriquecido ainda por um envolvimento com a “radio art” que o levou já a produzir peças para a Transmediale de Berlim, a Fundação de Serralves ou o Goethe Institut. Fazendo do seu instrumento, o gira-discos, veículo para um discurso de experimentação de tom analógico, com recurso a amplificadores, discos de prensagem caseira, agulhas modificadas e objetos percussivos, Lopes é um dos mais interessantes e inovadores representantes da música exploratória nacional.

Nuno Moita é um dos mais importantes catalisadores da música experimental em Portugal, através da editora Grain of Sound e do festival Sonic Scope, mas também através do seu trajecto como gira-disquista ou à frente de um computador. Um trajecto que partilhou com muitos colaboradores: Whit (quarteto de gira-discos com Pedro Lopes, Miguel Sá, Fernando Fadigaz), Gigantiq (com André Gonçalves) e Matteo Uggeri, entre outros.