, 8 de Maio de 2015

Encontros de Coimbra dão primazia ao jazz português

A decorrer entre os próximos dias 28 e 31 de Maio, a 13ª edição do Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra dará primazia ao jazz português, colocando-o nos palcos principais do evento organizado pelo Jazz ao Centro Clube como apoio da autarquia da cidade do Mondego. A opção, segundo o seu director artístico, José Miguel Pereira, deriva do reconhecimento do alto nível de qualidade conquistado pelo jazz que por cá se está a tocar.

Muitas das formações do cartaz apresentam – em sete diferentes locais de Coimbra – músicos nacionais ao lado de instrumentistas de outros países, e precisamente porque há uma equivalência de capacidades. No total, são 11 as nações representadas. Além da nossa, Espanha, França, Itália, Holanda, Alemanha, Suécia, Suíça, República Checa, Estados Unidos da América e Uruguai.

É precisamente esse o caso do grupo que vai abrir o festival, no fim da tarde de 28 de Maio: What About Sam junta os portugueses Luís Vicente, André Rosinha e Vasco Furtado ao italiano Federico Pascucci e ao francês Roberto Negro. O concerto está marcado para o Museu Nacional Machado de Castro e servirá para apresentar o disco de estreia deste projecto, editado pela JACC Records. A tradição jazzística e a exploração de novos territórios balizam a música que se irá ouvir…

No mesmo dia, o serão será preenchido com uma actuação no Salão Brazil dos checos Vertigo, agora com a adição da violoncelista Dorota Barová ao pré-existente quinteto de Oskar Torok, Marcel Bárta, Vojtech Procházka, Rastislav Uhrik e Daniel Sultis. O novo formato vem acentuar a influência da música erudita contemporânea e da música electroacústica nos temas, como se poderá verificar.

São dois os concertos de final de tarde no dia 29. Primeiro com um solo de saxofone alto e electrónica interactiva do holandês Jorrit Dijkstra na Casa da Esquina, e logo depois com uma ida à Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto para ver e ouvir os Lisbon Connection do norte-americano Elliott Levin, um antigo colaborador de Cecil Taylor. Com este estarão Luís Lopes, Hernâni Faustino e Gabriel Ferrandini, para lançamento de disco igualmente com selo JACC Records. As coordenadas estarão entre a improvisação estruturada (Dijkstra) e desenvolvimentos actuais das premissas do free jazz (Levin).

Já rondando a meia-noite, no Salão Brazil, e com segundo “set” a 30 de Maio, tocará o Mário Barreiros Quarteto. Ambas as prestações serão registadas para posterior edição em disco pela JACC Records. O histórico baterista será acompanhado por Ricardo Toscano, Carlos Barretto e o pianista galego Abe Rábade. Prevê-se um jazz “mainstream” fresco e com muito espaço para os solos improvisados.

O dia 30 começa com uma matinée no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, protagonizado pela dupla suíço-francesa Samuel Blaser / Marc Ducret. Dois músicos que são expoentes europeus nos respectivos instrumentos, o trombone e a guitarra, sendo bem conhecidas as parcerias do segundo com Tim Berne. Jazz do século XXI com base em composições escritas, é o que se espera.

À noite, Susana Santos Silva (foto acima) apresenta um novo projecto, Impermanence, no Teatro Académico Gil Vicente. João Pedro Brandão, Hugo Raro e José Marrucho, músicos portuenses como a própria trompetista, subirão ao palco com o contrabaixista sueco Torbjorn Zetterberg para mostrar o alinhamento do álbum a lançar na altura pela Carimbo Porta-Jazz. Anuncia-se uma música que «se recria e se transforma a cada momento», sem repetições.

O fecho do Jazz ao Centro faz-se a 31 de Maio com um único, mas especial, momento no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. O “Zíngaro” / Mitzlaff / Viegas / Rosso 4tet fará aí mais uma apresentação discográfica (outro novo título da JACC Records), com as cordas de Carlos “Zíngaro”, Ulrich Mitzlaff e Alvaro Rosso (um alemão e um uruguaio residentes em Portugal) a contracenarem com os clarinetes de João Pedro Viegas, sob o signo da música de câmara livremente improvisada.

Os Encontros de Coimbra deste ano incluirão ainda uma oficina de improvisação dirigida aos alunos do Centro Norton de Matos e dirigida pelo colectivo Sonoscopia, do Porto. Estão previstas duas sessões, uma a 23 de Maio e outra a 30, com quatro horas cada.