, 29 de Outubro de 2015

Novembro com Anozero em Coimbra

Fruto de uma parceria de trabalho do Jazz ao Centro Clube com o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, aquela primeira organização e a Rádio Universidade de Coimbra têm sob a sua curadoria conjunta parte do programa musical da Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, a decorrer de 5 a 20 de Novembro próximo. A iniciativa tem como principal objectivo assinalar a distinção, pela UNESCO, da Universidade de Coimbra, da Alta da cidade e da Rua Sofia como Património da Humanidade. Assim, na «tentativa de compreensão do significado simbólico e efectivo desta nova realidade», a bienal propõe «um confronto entre arte contemporânea e património, explorando os riscos e as múltiplas possibilidades associadas a este património cultural».

O arranque faz-se com Coclea, designação com que se apresenta o guitarrista Guilherme Gonçalves. Vai actuar no Corredor RUC a 5 de Novembro, pelas 18h30. Com disco recente editado pela Shhpuma, uma subsidiária da Clean Feed, será apresentada uma música de cariz ambiental com influências que vão de Manuel Gottshing a My Bloody Valentine. Segue-se um concerto de música electrónica da francesa Bérangère Maximin, cujo trabalho de estreia foi editado pelo selo de John Zorn, Tzadik, tendo o seu mais recente álbum sido lançado este ano pela Crammed Discs. Os temas que se ouvirão na Casa das Caldeiras, às 19h30 também de dia 5, baseiam-se nesta obra, “Dangerous Orbits”. A proposta centra-se na progressiva e quase imperceptível evolução de uma melodia.

Logo de seguida, à noite (a partir das 21h30), está agendada uma “double bill” no Teatro Académico de Gil Vicente, com Tiago Sousa a solo e o septeto Slow is Possible. O primeiro fará uma apresentação do seu novo título, “Um Piano nas Barricadas”, na linha da sua abordagem neoclássica e pós-moderna ao piano.  O grupo que reúne jovens músicos da Beira Interior interpretará as peças do seu primeiro disco, publicado pela JACC Records. Trata-se de um jazz de forte pendor cinematográfico, com elementos do rock e da música erudita.

No dia 7 de Novembro, às 22h00 e com passagem para o Salão Brazil, toca um trio constituído por Marcus Schmickler, Rafael Total e Gustavo Costa (foto acima). A formação é nova, mas conta com um passado de colaborações entre Schmickler e Toral, designadamente na orquestra Mimeo, e entre Toral e Costa. O projecto assenta numa improvisação de carácter exploratório e electroacústico. O músico alemão tem feito o seu trajecto nos domínios do experimentalismo electrónico e do pós-rock, neste caso com o pseudónimo Pluramon. Rafael Toral vem propondo um jazz tocado com dispositivos electrónicos e Gustavo Costa divide a sua actividade entre a música improvisada, o metal alternativo e projectos dificilmente catalogáveis, enquanto baterista, percussionista e recorrendo ao computador. A actuação será gravada, para posterior edição de um CD pela JACC Records.

A série de eventos incluirá ainda uma programação do artista visual e sonoro Pedro Tudela, [zerodB], circunscrita a intervenções musicais de artistas que se estrearam com a imagem. Será o caso, a 13 de Novembro, das prestações no Salão Brazil, a partir das 22h00, de Ricardo Jacinto, com o também instalacionista e escultor num solo improvisado de violoncelo e electrónica, do duo @c, com Miguel Carvalhais e Tudela num par de “laptops”, e ainda da electrónica de Jonathan Uliel Saldanha. Jacinto servir-se-á de um sistema de amplificação sonora em diferentes pontos do seu instrumento, explorando a possibilidade de fragmentação sónica. Os @c utilizarão elementos acusmáticos, de música concreta e computacional. Saldanha manipulará frequências subsónicas, actuando na intercepção do “dubbing” ao vivo e da electroacústica.

Este painel segue dia 20 com uma nova tripla no Salão Brazil, juntando o trio Haarvöl, constituído por Fernando José Pereira, João Faria e Paulo Rodrigues, um solo de Marçal dos Campos, alter-ego do artista plástico João Marçal, e Bitcho, personagem de Susana Chiocca. Os primeiros participantes têm como característica a construção de ambientes imagéticos por meio de fontes digitais e analógicas, com complexidade sonora e atenção ao detalhe. MdC dedica-se a uma forma de «representação da música» que designa por “cathartic easylistening” e “sentimental voiceless karaoke”, utilizando meios tecnológicos muito simples. Intervindo como vocalista e “performer”, Chiocca assinará um ritual «entre o cabaré e a patafísica».