, 3 de Fevereiro de 2016

Jazz está de volta à Amadora

Na sua sexta edição, o Ciclo de Jazz da Amadora volta a levar aos Recreios da cidade vários exemplos das tendências com que o jazz se foi pluralizando. Entre 2 e 5 de Março ouviremos um consagrado do piano, o trio de um saxofonista que tem merecido o aplauso da crítica internacional, o quarteto de um jovem prodígio que vai esgotando salas por onde passa e até um ensemble de crianças que descobriram este tipo de música e estão a divertir-se imenso com ela. A programação, como habitualmente, é do Jazz ao Centro Clube e os dois primeiros concertos são de entrada livre.

A série arranca, dia 2, com uma actuação do Ricardo Toscano Quarteto, formado por rapazes de vinte e poucos anos que tocam como se tivessem vivido mais tempo. Além do líder Toscano em sax alto, estarão João Pedro Coelho no piano, Romeu Tristão no contrabaixo e João Pereira na bateria. Quem já assistiu a um concerto deles sabe que o seu jazz, baseado em arranjos de temas das figuras históricas de referência, muito depressa se torna electrizante. Os solos improvisados jorram imaginativamente e o “groove” que os sustenta faz com que, mesmo sem repararmos, abanemos pés e cabeças. A surpresa espera, pois, quem nunca os ouviu.

São ainda mais jovens os protagonistas da sessão seguinte. Se se trata de um regresso à Amadora, neste mesmo contexto, do agrupamento de jazz da sinfónica Orquestra Geração, ou melhor, do GeraJazz, os pequenos músicos serão outros, vindos de uma nova fornada. À frente deles estará o trombonista Eduardo Lála, membro, por exemplo, do LUME – Lisbon Underground Music Ensemble, seu professor.

A 4, intervém o Rodrigo Amado Motion Trio, com a sua improvisação livre e fortemente expressiva alicerçada sobre a matriz do hard bop. A energia e o fogo criativo deste projecto que reúne Rodrigo Amado (saxofone tenor, por vezes também alto e barítono), Miguel Mira (violoncelo, afinado como um contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria, percussão) já são lendários, e tanto no nosso país como no circuito mundial, onde estes músicos conquistaram um prestígio muito particular. Aqui não terão nenhum dos convidados com quem já gravaram ou tocaram ao vivo, designadamente Steve Swell, Jeb Bishop, Peter Evans ou Matthew Shipp, mas será uma boa oportunidade para nos concentrarmos no que têm de mais essencial.

O fecho do Ciclo de Jazz da Amadora faz-se a 5 de Março com um dos maiores nomes do jazz nacional, Mário Laginha (foto acima). E numa situação em que não é habitual encontrarmo-lo, o solo absoluto. Alguns temas do único disco que o pianista gravou com o mesmo formato, “Canções e Fugas” (2006), estarão certamente no alinhamento, como os emblemáticos “Fado”, “Berenice” e “Do Lado de Cá do Mar”. Outros, entre recuperações de outros álbuns, a exemplo de “Despedida”, adaptações de peças para grupo e novas composições, surgirão igualmente. A sós com o seu piano, ficará ainda mais clara a veia lírica de Laginha e a forma poética como entende os sons.