, 17 de Fevereiro de 2016

Semana jazz em Coimbra

Vem aí uma semana em grande para os apreciadores do jazz que vivem em Coimbra. No dia 23 de Fevereiro, a celebração dos 50 anos do programa radiofónico Cinco Minutos de Jazz, de José Duarte, leva ao Teatro Académico Gil Vicente (21h30) o Ricardo Toscano Quarteto. O grupo do jovem saxofonista (21 anos apenas) toca um jazz abrasivo, incendiário mesmo, com fundamentação bop e hard bop, solos inventivos e propulsão “groovy”. Se acontecer o que vem sendo hábito (assim foi, recentemente, na Culturgest e no CCB, em Lisboa), a lotação do TAGV vai esgotar.

A 25, no Salão Brazil (22h00 – foto acima Cropless Photography / Jazz ao Centro Clube), vez para o grupo anglo-norueguês The Geordie Approach, que tem como marca propor um jazz-funk-rock banhado em electrónica (todos os três músicos que o constituem dobram os seus instrumentos, saxofone alto, guitarra e bateria, com teclados e dispositivos digitais e analógicos). Se com Ståle Birkeland, Petter Frost Fadnes e Chris Sharkey reencontramos por vezes as típicas paisagens sonoras do jazz escandinavo, a sua atitude experimental leva-os até limites próximos do noise. É como se devolvessem à era cibernética em que vivemos o humano sentido tribal e ritualístico que fomos perdendo.

Finalmente, nos dias 26 e 27 de Fevereiro, e também no Salão Brazil, tem lugar o Ciclo Porta-Jazz, com quatro concertos dos grupos Espécie de Trio e João Mortágua “Janela”, no primeiro dia, e depois com MAP e pLoo. O trio de Hugo Raro, Filipe Teixeira e António Torres Pinto converte temas provenientes da pop, do rock, da folk e da canção de intervenção política ao formato jazz, com imaginação e cometimento. O quarteto de João Mortágua pratica um jazz do século XXI com garra e, aqui ou ali, influências composicionais do grupo de rock progressivo Gentle Giant. A música dos MAP de Paulo Gomes é fresca, jovial, simultaneamente complexa e acessível, induzindo estados de espírito e ambientes oníricos à medida que vai decorrendo. O guitarrista Miguel Moreira tem nela um papel especial. Liderado pelo baterista Paulo Costa, o quinteto pLoo dá largas à improvisação e recorre a planos rítmicos provenientes do lado Sul do Equador. Os concertos têm início às 22h30, com serviço de bar.