, 12 de Abril de 2016

Jazz em Agosto de 2016 apresenta cartaz reforçado

No ano em que a Fundação Calouste Gulbenkian comemora 60 de existência, o festival Jazz em Agosto tem cartaz reforçado, com 20 eventos no total, entre 11 concertos no Anfiteatro ao Ar Livre, três actuações a solo na Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna, três filmes documentais, duas conferências e a apresentação de um livro. Natural destaque vai para as duas “big bands” programadas, a White Desert Orchestra de Eve Risser e a Paal Nilssen-Love Large Unit (foto acima). As participações nacionais acontecerão com o Tuba and Drums Double Duo, constituído por Sérgio Carolino, Oren Marshall, Mário Costa e Alexandre Frazão, os luso-italianos Tetterapadequ, que junta Gonçalo Almeida e João Lobo a Daniele Martini e Giovanni di Domenico, e o Lisbon String Trio, formação ainda por designarcomviolino, viola e violoncelo que acompanhará os Young Philadelphians de Marc Ribot.

É este grupo, precisamente, que abrirá a 33ª edição do Jazz em Agosto a 4 desse mês, juntando ao guitarrista que nos habituámos a ouvir com John Zorn uma segunda guitarra, a de Chris Cochrane, o baixo de Jamaaladeen Tacuma, antigo membro dos Prime Time de Ornette Coleman, e Calvin Weston. No final da tarde do dia seguinte, Ribot toca a sós, acompanhando as imagens do filme “Shadows Choose Their Horrors”, de Jennifer Reeves. À noite, vez para os Snakeoil de Tim Berne, agora transformados em quinteto com a adição da guitarra de Ryan Ferreira ao saxofonista e a Oscar Noriega, Matt Mitchell e Ches Smith.

Na tarde de dia 6, altura para assistir a uma de duas conversas entre Evan Parker e David Toop, genericamente intitulada “Sharpen Your Needles”, esta sobre as «músicas extintas e ameaçadas», com exemplos em disco. O serão pertencerá ao «radical» (assim o apresentou Rui Neves, director artístico do certame, em conferência de imprensa realizada hoje, 12 de Abril) trio Pulverize the Sound, formado por Peter Evans, Tim Dahl e Mike Pride. A 7 de Agosto, em jeito de matinée, a segunda sessão de “Sharpen Your Needles”, desta vez sobre a improvisação livre, novamente com vinil a documentar o que for dito.  À noite toca o decateto (+1, pois a desenhadora de som Céline Grangey tem um papel fundamental na formação) de Risser, no qual encontramos uma boa amostra da nova geração de músicos franceses.

Os Tetterapadequ actuarão na noite de dia 8 e, a 9, estreia-se um novo projecto do violinista Théo Ceccaldi, Petite Moutarde, com projecção de excertos de filmes de René Clair, Marcel Duchamp e Man Ray. Do grupo salienta-se a saxofonista Alexandra Grimal. O primeiro documentário será visto ao entardecer de 10 de Agosto, com uma de três películas com selo RogueArt – “Off the Road”, de Laurence Petit-Jouvet, sobre o falecido contrabaixista Peter Kowald. Valerá a pena ficar para o concerto de depois do jantar, com as duas tubas e as duas baterias do Tuba and Drums Double Duo.

A tarde de 11 chegará com outra longa-metragem à volta de Kowald, desta vez sobre os concertos que deu em Chicago com músicos locais. Também de Petit-Jouvet, intitula-se “Chicago Improvisations”. Seguem-se, no mesmo dia, os igualmente extremos Unnatural Ways de Ava Mendoza, um “power trio” que atravessas as várias músicas urbanas da actualidade. O terceiro filme da RogueArt vem a 12, recordando um colectivo que já se apresentou na Gulbenkian, “Electric Ascension Live at Guelph Jazz Festival”, de John Rogers. Quando a noite cair, o palco pertence a um quinteto transnacional, os Z-Country Paradise de Jelena Kuljic, Frank Gratkowski, Kalle Kalima, Oliver Potratz e Christien Marien.

O sábado 13 de Agosto começa com a apresentação pelo próprio autor, Luca Vitali, do livro “The Sound of the North – Norway and the European Jazz Scene”. Meia-hora depois, Paal Nilssen-Love tocará a solo. Seguem-se os Supersonic do saxofonista francês Thomas de Pourquery, numa sessão de homenagem a Sun Ra. O fecho do Jazz em Agosto de 2016 faz-se com uma dose dupla de música. Primeiro, ao descer do sol, um solo de saxofone alto e clarinete baixo processados electronicamente de Gratkowski, um dos mais desafiantes sopradores europeus dos nossos dias, e finalmente, com o subir da lua, a prestação da Large Unit de Nilssen-Love. Nesta, encontraremos figuras de topo da cena escandinava como Thomas Johansson, Mats Aleklint, Kristoffer Alberts, Per Ake Holmlander e Jon Rune Strom.