, 12 de Maio de 2016

Jazz im Goethe Garten lembra Hendrix e Morphine em Julho

Está anunciado o cartaz da 12ª edição do festival Jazz im Goethe Garten, promovido pelo Goethe Institut de Lisboa. Este ano a decorrer entre 5 e 15 de Julho, numa programação de Rui Neves (também o curador do Jazz em Agosto da Gulbenkian), o evento tem lugar no jardim do Instituto Alemão, ao Campo dos Mártires da Pátria, em finais de tarde regados a cerveja e salsichas alemãs.

Como é de tradição, a série de concertos abre a 5 com um grupo nacional. No caso, os CLocks and Clouds de Luís Vicente, Rodrigo Pinheiro, Hernâni Faustino e Marco Franco, tendo como motes a improvisação colectiva, sem lideranças, e a procura de empatias. A sessão seguinte, logo a 6 de Julho, é espanhola, com o Sputnik Trio. Este é constituído por Ricardo Tejero, Marco Serrato e Borja Diaz, respectivamente em palhetas, contrabaixo e bateria, trabalhando no legado do free jazz norte-americano.

Da Suíça vêm, a 7, os Ambik, trio com Max Loderbauer no sintetizador, Claudio Puntin no clarinete e na electrónica e Samuel Rohrer em bateria e electrónica, os dois últimos músicos já nossos conhecidos, pois tocaram com o português Carlos Bica. O jazz deste projecto cruza-se com o ambientalismo e a electroacústica experimental, desafiando rotulagens precisas. O dia 8 pertence aos Hang em High da Áustria, grupo que associa reminiscências coltraneanas com o “beat” e a sonoridade do metal, passando pela influência dos Morphine. Esta patente no baixo eléctrico de duas cordas de Bond, tendo a seu lado Lucien Dubois em saxofone tenor e clarinetes baixo e contrabaixo e Alfred Vogel em bateria e percussão reciclada a partir de lixo. Todos eles utilizam também a voz.

Depois de um intervalo de uns dias, o Jazz im Goethe Garten continua, a 12 de Julho, com os franceses Journal Intime, outro trio, mas este totalmente de sopros, com Sylvain Bardieu em trompete, Frédèric Gastard em saxofone baixo (foto acima) e Matthias Mahler em trombone. Formato estranho para o que se vai ouvir: temas de Jimi Hendrix. No dia 13 sobe ao palco um duo italiano, com o trombone e a electrónica de um cúmplice de Enrico Rava, Gianluca Petrella, mais o piano e o Fender Rhodes de Giovanni Guidi. A opção estética é expressionista e a atitude musical de exploração.

No dia seguinte, outro duo, este do Luxemburgo. Tocam o pianista Georg Ruby e o clarinetista baixo Michel Pilz, autores de um jazz elegante, contemporâneo e com claras referências eruditas, utilizando temas curtos e muito focados. O fecho, a 15, é como sempre germânico. Apresentam-se os Grid Mesh, reunindo Willi Kellers no piano, Andreas Willers na guitarra eléctrica, Matthias Muller no trombone (substituindo o recentemente falecido Johannes Bauer) e Frank Paul Schubert nos saxofones alto e soprano, numa abordagem que pretende definir uma «música improvisada para o século XXI».