, 17 de Outubro de 2017

Peter Brötzmann & Black Bombaim estão de volta

Um ano e uns meses depois, aí estão novamente Peter Brötzmann e Black Bombaim. Apresentam-se em Lisboa (Musicbox) a 25 de Outubro e no Porto (Passos Manuel) no dia seguinte. Recapitulemos o que está por detrás deste muito especial reencontro: em 2016, o programador do Rescaldo, Travassos, propôs ao saxofonista e clarinetista de free jazz alemão e ao grupo stoner e de rock psicadélico português Black Bombaim que tocassem juntos naquele festival – o concerto decorreu na garagem da Culturgest, no edifício-sede em Lisboa da Caixa Geral de Depósitos, e encheu aquele espaço com um público que só podia imaginar ao que ia. Na altura, marcou também uma sessão de estúdio que documentasse a parceria, com o quarteto a ensaiar na SMUP, Parede, para os dois efeitos. No final desse mesmo ano o disco consequente estava a circular, numa inédita parceria entre a Shhpuma, etiqueta subsidiária da Clean Feed de que o mesmo Travassos é o responsável, e a Lovers & Lollypops, editora de rock do Norte. A crítica nacional e internacional recebeu o álbum com entusiasmo e este saiu em muitas listas dos melhores do ano.

A combinação parecia desenhada no céu. Ao longo do seu percurso, Brötzmann surgira algumas vezes em contexto eléctrico, desde o grupo Last Exit, a que pertenceu juntamente com Sonny Sharrock e Bill Laswell, aos “noisy” e algo metaleiros Full Blast, passando por colaborações com o seu filho Caspar Brotzmann e com os Fushitsusha de Keiji Haino. A banda de Barcelos incluíra, por sua vez, as prestações de saxofonistas ao vivo e em alguns discos, casos de Steve MacKay, o mesmo que tocou com os Stooges de Iggy Pop, e dos portugueses Rodrigo Amado e Pedro Sousa. Estava, pois, também esta possibilidade no código genético dos Black Bombaim. A ampla aceitação dos primeiros resultados conduziu à reafirmação da vontade de que a fórmula Peter Brötzmann  & Black Bombaim continuasse – ainda que tal possa verificar-se apenas para um segundo “round”. Este.

O concerto em Lisboa vai ter na primeira parte a prestação dos Scúru Fitchádu, outro projecto que mistura idiomas musicais cuja associação não se supunha possível, designadamente o funaná cabo-verdiano, o punk e o techno, com instrumentos como a “gaita” (um acordeão diatónico), o “ferrinho” (uma barra de metal percutida por outra mais pequena) e um computador munido de muitos samples de guitarra e baixo. No Porto, a abertura da noite estará a cargo dos Paisiel, duo formado pelo baterista e percussionista João Pais Filipe e pelo saxofonista, também alemão, Julius Gabriel. A linguagem base destes está no chamado jazzcore, um híbrido de jazz com punk e metal. Filipe cobre a ampla gama de estilos representada por formações como HHY & The Macumbas, Two White Monsters Around a Round Table e Radial Chao Opera, e Gabriel é membro dos Ikizukuri, com Gonçalo Almeida e Gustavo Costa, estando também envolvido em grupos especialmente abrasivos como Blutiger Jupiter e Das Behälter. Como na música os furações podem não voltar sempre, mais uma razão para ir…