, 12 de Junho de 2018

Émile Parisien e Roberto Negro marcam presença no XJazz

Vem aí mais um XJazz. A mesma parceria – entre o Jazz ao Centro Clube e a ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto – que trouxe Evan Parker para uma residência artística com uma quinzena de músicos portugueses e que possibilitou o primeiro registo discográfico do projecto Guitolão, de António Eustáquio e Carlos Barretto, foi renovada para mais um programa de concertos e residências dedicado ao jazz e às músicas de carácter exploratório, a realizar no Verão que se aproxima.

O primeiro acontece já a 16 de Junho, com a aldeia de Figueira (concelho de Proença-a-Nova, a mesma que no ano passado recebeu Joelle Léandre, Susana Santos Silva, Maria Radich, Maria do Mar, Joana Guerra e Angelica V. Salvi) a acolher Paolo Angeli, músico da Sardenha radicado em Barcelona, mais a sua guitarra sarda preparada e modificada com a adição de cordas simpáticas, pedais e outros recursos. Determinado a criar um folclore imaginário do Mediterrâneo, com contribuições da música popular da sua ilha italiana de origem, do jazz, do rock e das músicas electroacústicas experimentais, Angeli é uma das mais originais figuras da música de pesquisa do Velho Continente. “Luthier” dos seus próprios instrumentos, também os constrói para terceiros, tendo como mais famoso cliente o guitarrista Pat Metheny.

A 14 de Julho, estarão no Sobral de São Miguel, na Covilhã, duas celebradas personalidades da nova geração do jazz que se pratica em França, Émile Parisien (saxofone soprano, na foto) e Roberto Negro (piano, este de origem italiana). O primeiro obteve um particular sucesso com o quinteto Sfumato, que mantém com os veteranos Joachim Kuhn e Michel Portal e que conta com um baterista português, Mário Costa (seu parceiro, também, em discos e concertos protagonizados por Hugo Carvalhais), tendo já incluído Wynton Marsalis como convidado especial. O outro conquistou o público e a crítica com os seus dotes composicionais e performativos, em criações como “Garibaldi Plop” e em associações com, por exemplo, os irmãos Theo e Valentin Ceccaldi – já bem conhecidos dos melómanos portugueses. O duo arrancou em 2015 com um trabalho inspirado nas “Métamorphoses Nocturnes” de Ligeti e desde então tem-se pautado pela combinação de aspectos do jazz e da música erudita.

O compositor, baterista, pianista e manipulador de electrónica português Pedro Melo Alves estará em residência artística entre 1 e 15 de Agosto na Aldeia das Dez, tendo concerto marcado para dia 11 desse mês. É membro fundador do The Rite of Trio, grupo que articula materiais do jazz com outros provenientes do metal, e a música que escreveu para o seu Omniae Ensemble recebeu em 2017 o Prémio de Composição Bernardo Sassetti. Em curso tem ainda dois projectos, Symph e O, este um solo para bateria e dispositivos digitais. As duas semanas que passará naquela aldeia do xisto servirão muito provavelmente para dar os últimos retoques às bandas-sonoras para a peça de teatro “A Boa Alma de Setsuan” (Companhia de Teatro de Almada), o espectáculo “intermedia” “Vox Nihili” (Colectivo Caos) e a performance “A Canção de Amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão-Rilke” (dupla com Maria Duarte).