João Hasselberg, 17 de Novembro de 2014

A verdade é sempre pessoal

texto Rui Eduardo Paes fotografia Vera Marmelo

Com um novo disco, “Truth Has to Be Given in Riddles”, em circulação, o contrabaixista e compositor João Hasselberg confirma o seu posicionamento singular na cena jazz nacional. Diferente da sua primeira obra em nome próprio, o álbum continua, no entanto, algumas das características que aí se revelaram: a referenciação literária, ainda que em menor grau, e um gosto confesso pelo formato canção. Se bem que agora mais folk do que pop e com o propósito mais explícito de que a nossa audição seja um trabalho de descoberta pessoal. A palavra “pessoal” é, de resto, a mais repetida na conversa que aqui se reproduz…

 

O teu novo disco parece não ter o carácter de “concept álbum” que teve o primeiro, pelo facto de se referenciar todo ele na literatura. De qualquer modo, o título, “Truth Has to Be Given in Riddles”, deixa-nos de imediato a perspectiva de que cada tema incluído é um enigma a decifrar, e que está aí o factor de unificação do CD. É assim, ou a minha audição foi condicionada pela obra anterior? E se assim é, que enigmas são esses?

Bom, tal como acontecia com os temas de “Whatever It is You’re Seeking Won’t Come in the Form You’re Expecting”, o título é retirado de um parágrafo do livro "My Name is Asher Lev", de Chaim Potok. Este disco contém, pois, mais referências literárias. O certo é que leio compulsivamente. Estou especialmente agarrado a autores americanos do Pós-Guerra e autores japoneses. Ler estimula-me a capacidade criativa e ao mesmo tempo deixa-me ideias claras sobre a realidade das relações humanas. Cada vez que leio aprendo um pouco mais sobre essas relações e vou construindo uma ideia do que é ser humano. Ideia essa que se vai transformando. O produto proveniente da transformação dessa ideia é a música que escrevo.

A deste disco foi baseada na premissa de que a verdade tem de ser um processo de descoberta pessoal. Assim, não serve de muito eu revelar quais as verdades escondidas atrás de cada tema. Cada um descobrirá o que tiver de descobrir com esta música, e espero que não seja pouco.

Existe um documentário chamado "The Art of Improvisation", sobre a visão musical de Keith Jarrett. A determinada altura ele diz «Uma das grandes falácias dos círculos musicais é considerar que a música vem da música. É como dizer que os bebés vêm de outros bebés. Não é verdade. A música é o resultado de um processo pelo qual o músico passa. Sobretudo se estiver a criá-la aqui e agora.» Concordo plenamente com ele.

Há que fazer a distinção entre atributos técnicos - tanto no instrumento como musicais no geral - e música propriamente dita. È mais ou menos a diferença entre ter farinha, açúcar e ovos ou ter um bolo com as quantidades certas de cada ingrediente e com o tempo de cozedura perfeito. Ouvir música e estudar música é, sem dúvida, parte do processo, uma etapa à qual não se pode fugir! Se oiço na minha cabeça um som e o quero reproduzir no instrumento, tenho de ser capaz de o fazer e essa capacidade vem desse estudo técnico e repetitivo, altamente introspectivo também, no sentido em que é preciso descobrir em que direcção se quer ir para poder apontar o desenvolvimento desse caminho.

Há dois anos percebi que para poder tirar do instrumento o som que ouvia internamente tinha de desenvolver e até reaprender a minha técnica de arco. Falei com o meu amigo e contrabaixista Demian Cabaud e ele não hesitou em recomendar-me o mestre dele, Alejandro Erlich-Oliva. Desde então temos trabalhado regularmente em questões técnicas do instrumento, repertório "clássico", tudo o que a palavra música abranja. Absorvo a música que oiço e que me marca de alguma maneira, trabalho com ela, tento transformá-la numa coisa minha. Mas isso não passa de um exercício e permite-me, tal como o estudo do contrabaixo, ganhar ferramentas para construir qualquer coisa, como se fosse a baunilha e os morangos do tal bolo.

Não sei o que faz do som "música", mas vou buscar isso em todo o lado para tentar aplicar quando toco ou escrevo. A ler, a ver um filme (menos), a passear num sítio desconhecido, a estar com amigos, a conhecer pessoas novas. Tem a ver com a questão da ideia que cada pessoa tem do que é ser humano.

 

Títulos misteriosos, a indicação de que há enigmas por decifrar e uma música que puxa pela nossa imaginação. Ainda que menos ambíguo, ou menos indeterminista, do que o primeiro álbum, este deixa-nos muito espaço de interpretação. A questão da percepção por parte do ouvinte preocupa-te especialmente, portanto?

Sim, a percepção por parte do ouvinte preocupa-me. Mas já não me preocupa o resultado final desta, sim o facto de existir um processo emocional / racional desencadeado pela música. A probabilidade de o resultado que quem ouve retira ser igual ao meu é mínima, tendo em conta que não há duas pessoas iguais. Faço propostas com a música que escrevo e as respostas alheias não têm de ser criticadas por mim.

Quero que essa reacção exista e isso tem a ver com o carácter universal que tento atribuir à música que escrevo. Procuro que esta tenha uma essência que seja reconhecível, independentemente de quem ouve, e que isso desencadeie qualquer coisa dentro das pessoas. Tento, desta forma, que a música não seja só som, mas que vá além disso e tenha um sentido extramusical.

 

Não há o perigo de o ouvinte sentir-se de fora, por sentir que só tu sabes qual é a dúvida de Abraham em “Abraham’s Doubt” (a não ser que se trate do Abraão bíblico) ou que tesouro procuram os dois irmãos de “Two Brothers in a Treasure Hunt”?

Muito pelo contrário. O que estou a fazer é dar ao público a liberdade de se poder ligar à música, de poder participar e retirar dela o que bem entender. A história de Abraão é para mim o episódio mais forte da Bíblia. Muito resumidamente: Deus pede a Abraão que sacrifique o seu filho. Abraão aceita e no último segundo aparece um anjo que diz «alto aí e tal». Para quem conhece a história e decifra o título do tema, a proposta é evidente. E mais uma vez, a forma como se entende essa proposta é inteiramente pessoal. 

Com imagens na cabeça

 

Disseste há pouco que te inspiras menos em filmes. A tua música é muito cinematográfica…

Sou fã de cinema, e cada vez mais gosto de ver séries televisivas que têm continuidade episódio após episódio, ao contrário das que abrem e encerram uma narrativa por capítulo. A qualidade destas está cada vez mais próxima do cinema. São uma espécie de filme gigante.

Gosto particularmente de bandas sonoras e ultimamente tenho escolhido os filmes pelo compositor e não pelo realizador. Felizmente, na maioria das vezes um bom compositor anda de mãos dadas com um bom realizador. Apesar de ter alguns livros sobre “film-scoring”, não sei grande coisa sobre técnicas de narrativa do ponto de vista teórico. Quando componho tento sempre estar no lugar do observador / ouvinte e direccionar a coisa para onde gostaria que fosse. Não para agradar ao público, mas para me agradar a mim mesmo. Da mesma forma que ao ler um livro imagino música e imagens na minha cabeça, quando escrevo música quero que quem a ouve também imagine uma história com imagens.

O problema é que nos filmes os diálogos estão já acompanhados de imagens e a paisagem sonora dita o “mood” da cena. A literatura dá-me mais frutos.

 

Pareceu-me que este novo disco não tem o carácter ambíguo do primeiro. As faixas cantadas assumem por inteiro a sua condição de canções e uma parte das instrumentais surge como temas de um afirmadíssimo jazz (sobretudo “En Madrid” e “The Return of the Prodigal Son”). Só em dois ou três casos é que me pareceu haver uma ligação directa com o que fizeste antes: composições de jazz de câmara com formato canção em que o instrumento solista ocupa o lugar do cantor. Foi isto o que pretendeste? Quiseste sair do figurino antes apresentado?

Escrever música é para mim, essencialmente, um processo de descoberta, não só musical mas pessoal. Criar fórmulas e reutilizá-las não é uma coisa que goste de fazer. Gosto de encarar um disco como o produto final desse processo de descoberta, uma espécie de encerrar de um ciclo. Todas as experiências e ideias que tive este ano resultaram nestas composições. Algumas apareceram de forma mais clara do que outras, e não há volta a dar em relação a isso. Continuo a preferir formas mais abertas (caso de "For Charlie" neste disco e de "A Wild Sheep Chase" no primeiro), mas quando a música pede outra coisa há que ceder e dar-lhe o que precisa.

Tenho dormido pouco nas últimas semanas a pensar no que vem a seguir. Acordo a meio da noite e vou para o contrabaixo experimentar coisas. Surgem-me muitas ideias, mas preciso de aprender a concretizá-las.

 

No que diz respeito às canções (as cantadas), fiquei com a impressão de que, mais do que qualquer “filiação” pop, têm um carácter “folky”. Além disso, no primeiro e no terceiro temas do CD, “Opening” e “Two Brothers in a Treasure Hunt”, não há qualquer identificação jazzística (já “For Charlie” tem-na, e muita). Posso concluir que o teu apreço pelo formato canção te levou, finalmente, à folk?

Sim, adoro folk. O tradicional e o comercial! Gosto da intemporalidade universal desta música. A folk pode ser ouvida hoje ou daqui a 60 anos num sítio qualquer do mundo que continua sempre actual.

Às vezes dá-me para escrever canções nesta onda, mas depende sempre do que quero dizer com a música. Misturar assuntos sérios com músicas simples (harmonicamente falando) parece-me eficaz. É o caso de "Two Brothers in a Treasure Hunt". Fui tocar a Israel no início de 2014 e numa das cidades onde estive, que faz fronteira com a Jordânia e o Egipto, tinham caído uns quantos mísseis na semana anterior. Foi aí que nasceu a ideia para a música. E já estou a falar demais!

 

No teu primeiro álbum é mais a pop que se distingue…

Gosto muito de Bon Iver, Patrick Watson, Coldplay, John Mayer, Sting, Radiohead, The Lumineers, Ray LaMontagne. Não sei muito bem o que me leva a gostar destas bandas e destes músicos pop. Têm todos um som muito característico e esse é, sem dúvida, um factor que me chama a atenção. Acho que os seus arranjos, a sua orquestração são uma influência forte na música que escrevo. É uma espécie de papel de embrulho que dá vontade de abrir com cuidado para ver o que está lá dentro.

 

Fazes questão de ouvir muita música?

Sim, oiço muita musica. Quando não estou a compor ou com o contrabaixo na mão estou a ouvir música ou a ver vídeos de concertos na Internet. De vez em quando vou espreitar os ensaios da Orquestra Sinfónica da Gulbenkian. Estou constantemente à procura das coisas mais recentes, e acima de tudo de música que me surpreenda ou que me faça sentir qualquer coisa. Neste momento não tenho leitor de CDs. Uso o Spotify, compro no iTunes, vou ao BandCamp.

Não oiço só jazz, mas é uma invariável na minha lista de escutas. Tenho um altíssimo respeito pela tradição jazzística e quanto mais oiço discos antigos mais músicos incríveis descubro. Parece que nunca mais acaba! Mas não fico por aí. Deparei-me há uns meses com um artigo chamado "The Irresistible Appeal of Black Individuality - Where Has All of That Gone?", de Michael Eric Dyson, que fala sobre a tradição africana de transmissão oral e repetição. O grande ponto deste artigo é que, nesta tradição, em cada repetição um novo elemento é adicionado ao discurso. É uma grande lição no que diz respeito a conhecer a tradição mas não ficar preso a ela.

 

Sinto, por quase todo este disco, a influência do impressionismo erudito, e logo começando pela segunda faixa, “Abraham’s Doubt”. Nas ambiências e por vezes no trabalho do piano de Luís Figueiredo. Confirmas?

É um dos períodos da história da música que mais me chamam a atenção. Não pensei muito nisso quando escrevi, mas sei que o Luís partilha comigo esse interesse.

Compositores como Fauré, Ravel e Debussy continuam a fazer parte da minha “playlist”. O Trio de Piano de Ravel é uma experiência nova a cada audição. O mesmo com as obras para piano de Debussy tocadas por Walter Geiseking ou o Quarteto com Piano No.1 de Fauré. O meu fascínio tem acima de tudo a ver com questões harmónicas e, de novo, com questões de arranjo e orquestração, especialmente no caso de Ravel.

A minha mãe sempre gostou de ouvir Jordi Saval, o que me levou à música de Marin Marais. Com o Alex - meu mentor - tenho descoberto muita coisa, como Dietrich Fischer Dieskau a cantar Schubert. Deste ando a tentar absorver o dramatismo na interpretação da melodia. 

A clareza como capacidade

 

Reparei que dás um espaço solístico especial ao trompete de Diogo Duque. De resto, fico mesmo com a sensação de que aqueles temas, “Abraham’s Doubt” e “Perry Smith’s Dreams”, pediam/exigiam um trompete. Foram pensados de origem para esse instrumento e para esse instrumentista?

Ao contrário de “Whatever You’re Seeking…”, já tinha um grupo quando escrevi a música para este. Isso fez com que, intuitivamente, a orquestração e até a composição revelassem os pontos fortes dos músicos com que toco. Para além do facto de adorar o trompete, e de dois dos meus músicos preferidos serem trompetistas, Terence Blanchard e Ambrose Akinmusire.

O "Perry Smith's Dreams" vem fazer a ligação entre os dois álbuns. Perry Smith foi um dos responsáveis pelo massacre da família Clutter, retratado no livro "In Cold Blood" de Truman Capote. A melodia é uma cópia parcial do tema "In Cold Blood" do primeiro disco, tocada por trompete também.

 

O mesmo sinto relativamente às faixas com a intervenção de Joana Espadinha. Foi tudo pensado para aquela tessitura vocal?

Já sabia que a Joana ia cantar aquelas faixas. A tonalidade em que saíram e a tessitura da Joana é que foram uma coincidência. Quando as escrevi era eu a cantar.

 

Sei que não te consideras contrabaixista, mas um músico que toca contrabaixo. Quais são as tuas referências neste domínio?

Quando comecei a estudar dava muita importância ao lado virtuosístico do instrumento, o que foi óptimo porque fez com que trabalhasse de forma obsessiva elementos técnicos que de outra forma não teria conseguido desenvolver. Gostava especialmente de Scott LaFaro e John Patitucci.

À medida que fui desenvolvendo essas capacidades e conhecendo / tocando mais música mudei a minha atenção para o Som e para o Tempo. Charlie Haden, Jimmy Garrison, Thomas Morgan e Larry Grenadier tornaram-se contrabaixistas de referência para mim. Gosto de um som que seja directo e assertivo, que não dê lugar a ambiguidades. Clareza é uma das capacidades que tenho tentado desenvolver enquanto contrabaixista. Facilitar a vida de todos os músicos em palco, mas também provocar quando tem de ser, e para isso preciso dessa característica.

 

Em “Truth Has to Be Given in Riddles” voltas a aparecer como compositor, idealizador e líder de banda mais do que como contrabaixista. Surges como tal apenas num pequeno solo e no resto do CD estás a dar suporte rítmico. Dirigir significa também colocares-te ao serviço do todo, certo?

Certo. Muitas vezes não há nada para dizer, mas há que levar o todo para o caminho escolhido por mim / nós.

 

E eis que, devido às tuas abordagens algo originais, se confirma o teu posicionamento à parte na cena nacional do jazz. Temes que isso te leve a uma condição periférica, a que sejas entendido por alguns como um músico “exótico” ou “bizarro”, ou como alguém que fez concessões e profanou o templo sagrado do jazz?

É capaz de acontecer isso. Mas felizmente não ligo muito a essas coisas. Trabalho com quem gosto de trabalhar e toco a música que gosto de tocar. O que vem para além disso não me interessa muito.

Ainda não percebi bem o que se passa com a cena jazzística no País, se é que se pode dizer que há uma e não quatro ou cinco. A cena geral é pequena e as subcenas são fechadas. A pequenez faz com que haja uma certa necessidade de criar facções, mas acho que isso não passa de um “hobbie” para quem não tem nada que fazer. Quando estudava em Amsterdão um dos meus maiores heróis era - e ainda é - Clemens van der Feen, precisamente por se conseguir movimentar em todos os meios e fazer um trabalho incrível em qualquer deles. Ora toca música improvisada / experimental como toca “mainstream” e pop, sempre sem perder a sua personalidade musical. E como ele havia muitos. É uma questão de tempo, mas sobretudo de educação, até as coisas ficarem mais equilibradas por aqui.

Nunca quis estar confinado a uma caixa e por isso mesmo também nunca senti necessidade de sair dela. O que me mantém fora da caixa é ver a música como um todo. Se se pode fazer música com YoYo Ma ou com Evan Parker porquê deixar essas oportunidades de fora? As crianças não fazem essas distinções. Já vi miúdos a dançar em concertos de free completamente esquizofrénico e depois a dançar a música do Pirilampo Mágico.

A última coisa em que penso enquanto toco ou componho é se devo ou não reproduzir o que oiço dentro de mim, por razões estéticas ou de género. Estaria a mentir se dissesse que a experiência é a mesma quando toco música improvisada ou música "100% escrita". Cada uma destas actividades dá-me coisas que a outra não dá. Juntas fazem-me sentir um músico mais completo.

 

Finalmente, uma pergunta filosófica: o que é para ti a verdade, em geral e na música?

Acho que a verdade “no geral e na música" é só uma. Estou à procura da minha e cada um "tem de" (ou não) descobrir a sua. Ela é pessoal, apesar de os seus parâmetros serem universais. Tem acima de tudo a ver com honestidade, não só com os outros mas também (e principalmente) connosco próprios. Descobrir quem somos e para o que fomos feitos, de que forma podemos melhorar a vida de todos aqueles que estão à nossa volta. Quem quiser criar uma imagem diferente para impressionar os outros, tudo bem, mas que não deixe a mentira apoderar-se de si.

 

Para saber mais

http://www.joaohasselberg.com/

 

Discografia seleccionada

João Hasselberg: “Truth Has to Be Given in Riddles” (edição de autor, 2014)

Joana Espad­inha: “Joana Espadinha” (Sony Music, 2014)

Nuno Fer­reira: “SET” (Sin­toma Records, 2014)

João Has­sel­berg:  “What­ever It Is You’re Seek­ing, Won’t Come In The Form You’re Expect­ing (Sin­toma Records 2013)

Iber­ian Express: “Har­ing (Barcelona Jazz Col­lec­tive, 2013)

André San­tos: “Ponto de Par­tida (TOAP, 2013)

Luísa Sobral : “There’s a Flower In My Bed­room (Uni­ver­sal Music, 2013)

Bruno San­tos:: “Bruno San­tos Ensem­ble (TOAP, 2013)

Afonso Pais & Rita Maria: “O Míope e o Arco-Íris” (Sin­toma Records, 2013)

João Firmino: A Casa da Árvore (Sin­toma Records, 2012)

João Firmino:  “A Bolha (JACC Records, 2011)

Luísa Sobral:  “The Cherry on My Cake (Uni­ver­sal Music, 2011)

Spy­ros Mane­sis: “Unde­liv­ered (JACC Records, 2011)

Gilles Estoppey: “ AMTER” (Dine­mec, 2007)

IMI Kollek­tief: “Snug as a Gun (Clean Feed, 2006)