301

E.S.T.: “301” (Act)

Act

Gonçalo Falcão

Há dois pontos prévios a fazer quanto a este disco: olho/ouço sempre com desconfiança as edições póstumas. E esta é uma. O último disco dos E.S.T. – “Leucocyte” – é, para mim, o melhor disco do grupo, no qual a introdução da electrónica aparece magnificamente, bem como a viragem para formas mais longas, texturais e sem a doçura que vinha de trás.

Este “301”, sendo uma edição póstuma (“Leucocyte” saiu logo após a morte de Esbjörn Svensson, mas já tinha a data de lançamento calendarizada), não é um disco oportunista, que tenta continuar a exploração do filão E.S.T.: gravado 18 meses antes do acidente do pianista e líder do trio, foi retirado de nove horas de material registado no estúdio 301, em Sydney.

Desse material algum foi lançado naquele que se pensava ser o derradeiro CD. Este disco é, pois, fruto de uma selecção das sobras.

Mantêm-se algumas características comuns a esse período final: “jams” longas, uso da electrónica para manipular os sons (em particular o piano), batida metricamente fácil, mas intrincada, solos reduzidos em termos de duração: no fundo, trata-se da consolidação das transformações operadas pelo E.S.T. na altura.

Percebe-se facilmente que algum do material incluído em “301” não tinha lugar em “Leucocyte”: não tanto por incluir maus solos ou más composições, mas por pequenos defeitos, normalmente associados à electrónica (o primeiro tema tem um enchimento de sintetizador que se prolonga aborrecidamente por sete minutos).

Este é um álbum dirigido aos fãs mais indefectíveis do grupo, e para esses vale a classificação máxima que aqui lhe damos.

  • 301

    301 (Act)

    E.S.T.

    Esbjörn Svensson (piano, electrónica, rádio); Dan Berglund (contrabaixo, electrónica); Magnus Öström (bateria, electrónica, voz)