Vagabond

Ulf Wakenius: “Vagabond” (Act)

Act

Gonçalo Falcão

Se houvesse justiça no mundo, haveria uma lei a proibir certos indivíduos de chegarem a menos de 20 metros de um instrumento musical. A pobre guitarra de Ulf Wakenius é uma vítima nas mãos deste senhor. Tanto estudo, tanta prática, tanto tempo de vida em conjunto e depois ele chega-lhe daquela maneira.

No primeiro tema do disco ainda estamos mais ou menos tranquilos. Depois, percebemos que a coisa não vai acabar bem. Quando se chega a “Message in a Bottle”, dos Police, é o descalabro. Não se admite.

Entra uma cantora que ataca o tema cheia de sensibilidade (tanta sensibilidade que percebemos logo que é uma senhora sensível, amiga da natureza e que deve alinhar os chacras diariamente), enquanto a guitarra de Wakenius arruína tudo a níveis que pensávamos inatingíveis. Isso até sem ter em conta “Bossa n’Stones”, em que os Rolling Stones são violados como se fossem pedófilos numa prisão de alta segurança americana.

Há também um acordeão francês (não é preciso dizer mais nada, pois não?) e umas percussões arábicas que dão à música uns coloridos que também deveriam ser evitados: coitados, eles já lá têm problemas que cheguem. Resumindo, o que aqui vem é uma música mixordenta, tipo-magrebina, tipo-bretã, tipo-rúnica, tipo-brasileira, tipo-japonesa. Enfim, vai tudo para o grande caldeirão de Wakenius.

Perguntamo-nos: como é possível que esta mente tão criativa, tão volátil, tenha sido guitarrista de Ørsted-Pedersen?

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    Vagabond (Act)

    Ulf Wakenius

    Ulf Wakenius (guitarras, oud, voz); Eric Wakenius (guitarra de cordas de aço); Vincent Peirani (acordeão, acordina, voz); Lars Danielsson (contrabaixo, violoncelo); Michael Dahlvid (darbuka, cajon) + Youn Sun Nah (voz; faixa 2); Nguyen Le (guitarra eléctrica; faixa 2)