Silent Comedy

Bill Frisell: “Silent Comedy” (Tzadik)

Tzadik

Gonçalo Falcão

Bill Frisell é um guitarrista com um som único, um uso virtuoso do pedal de volume e uma rara clareza de fraseado. Despontou na ECM nos anos 1980 – onde parecia perfeito para o som da editora –, mas foi com John Zorn, nos Naked City, que ganhou maior notoriedade.

Com o fim do grupo de Zorn, a guitarra de Frisell dedicou-se a um caminho confortável, cobrindo os “standards” americanos, tocando folk e dedicando-se a um jazz simpático. Perdeu interesse e só muito pontualmente propôs ideias aliciantes, como nas bandas sonoras para os filmes do Buster Keaton.

Famoso pelo seu som limpo, não esperávamos a mudança representada por “Silent Comedy” nesta fase da carreira (a lembrar “Zero Tolerance for Silence”, de Pat Metheny). Há muito tempo que não ouvíamos Frisell a tocar assim: sozinho, experimental, abstracto, com o som traficado, sujo.

Nesta edição de 2013 cada tema é uma viagem por pedais e processadores, num território em que Henry Kaiser é a maior referência. Cada tema é gerado pelo som estranho que sai de um processador e é este, desfigurando a guitarra, que gera ideias e guia a improvisação.

Ouvimos um lado inesperado e improvável do guitarrista que nem sempre é suficientemente interessante ou inovador: por vezes soa apenas a fogo-de-artifício sonoro, embriagado pelo processamento do som, mais interessado na estranheza do que em garantir que faz sentido e é musical.

O disco melhora exponencialmente nos temas finais, onde a guitarra está menos submersa em efeitos especiais e onde Bill Frisell explora o seu fraseado alegre de forma livre e criativa.

  • Silent Comedy

    Silent Comedy (Tzadik)

    Bill Frisell

    Bill Frisell (guitarra eléctrica)