Caro Emerald: “The Shocking Miss Emerald” (Dramatico/Grandmono)

Gonçalo Falcão

A designação “jazz” tem as costas largas. Usa-se para adultificar alguma pop que assim passa a ter um lugar legítimo (com “upgrade” cultural) nos auto-rádios. Há festivais como o Cool Jazz da EDP ou o Outjazz da MEO onde encontramos uma música bem-disposta e confortável e Miss Emerald encaixaria nesses eventos veranis, com temas marcados pelo “glamour” do mundo da moda e do “entertainment” dos anos 1920. Tudo isto num pacote bem montado pelo magnífico espírito comercial dos holandeses.

Ao “déjà-vu” da imagem de Caro Emerald junta-se o “déjà-ecouté”: um “cocktail” de estilos por onde passa o fox-trot (com DJs), algum swing orquestral (com DJs), as Andrew Sisters (com DJs) e um travozinho a French Riviera Smooth Jazz (com DJs), misturando-se com um som mais contemporâneo que por vezes se aproxima dos Portishead. A música marcha sem irritações se não lhe ligarmos importância, mas nem como pop (smooth, cool ou o que se quiser chamar) é interessante. Agora que a Emerald é bonita, lá isso é.