Moskus: “Salmesykkel” (Hubro)

Gonçalo Falcão

Os Moskus soam muito melhor ao vivo – ouvi-os na Casa da Música – do que em estúdio, mas este disco de estreia do trio está cheio de argumentos para uma audição cuidada. Em estúdio, fazem sobressair no piano a enorme beleza das composições., quase como se tivesse sido forçada a convivência de uma pianista angelical (Anja Lauvdal) com dois rufias rítmicos, desconexos, pouco preocupados com a métrica (Fredrik Dietrichson e Hans Hulbaekmo, respectivamente no contrabaixo e na bateria).

Mas como a ligação entre os três músicos não foi forçada, o resultado flutua com ligeireza entre dois mundos, ora estando num, ora no outro ou mesmo misturando os dois. Na tensão estabelecida reside a originalidade desta banda, formada por instrumentistas que parecem demasiado jovens para conseguirem estar tão bem preparados em dois universos musicais normalmente divorciados, e para os conseguirem juntar com tamanha elegância.