Ricardo Gallo Cuarteto: “Tribu del Asfalto” (Tambora Records)

Rui Eduardo Paes

Não fora Ricardo Gallo e provavelmente não saberíamos que há um jazz colombiano. Um jazz contemporâneo, arriscado e criativo, quero eu dizer, porque o jazz de salão existe em toda a parte onde uma burguesia menos inculta gosta de ostentar a sua “sofisticação”. Isso porque Gallo emigrou para os Estados Unidos e aí tem feito carreira. Felizmente para os melómanos da Colômbia e para aqueles que em outras partes do mundo procuram acompanhar o que se passa no lado Sul do Equador, o pianista não cortou o cordão umbilical com o seu país e tem mantido sempre, desde 2005, o Ricardo Gallo Cuarteto, de que fazem parte os nossos desconhecidos Juan Manuel Toro (contrabaixo), Jorge Sepúlveda (bateria) e Juan David Castaño (percussão).

“Tribu del Asfalto” é a quarta edição do projecto e, tal como as anteriores, cruza jazz e improvisação livre com as formas rítmicas e melódicas da tradição colombiana. Tão eficazmente que a música nos soa estranha e misteriosa. Não, não quero dizer “exótica”, porque o termo exotismo, no que ao jazz respeita, remete directamente para as intromissões de Hollywood no género. Este é um jazz mais autêntico e selvagem, um jazz com a primordial memória da selva, um jazz quase ritualístico e mágico. Mas claro que se trata de uma música urbana, como o próprio título do disco lembra – para todos os efeitos, a história do jazz acompanhou a própria evolução das cidades.