Daunik Lazro / Joelle Léandre: “Hasparren” (NoBusiness)

Rui Eduardo Paes

Sem ser o português Carlos “Zíngaro”, o músico com quem Joelle Léandre tem mais cumplicidades, estreitadas em várias décadas de colaborações, é este que a acompanha em “Hasparren”: Daunik Lazro, filósofo convertido ao jazz e à improvisação que muito vimos em Portugal na década de 1970, integrando (tudo está ligado, neste pequeno mundo) o grupo Plexus de Carlos “Zíngaro” em concertos que terminavam, invariavelmente, com “A Internacional”.

O disco começa por surpreender quem espera de Léandre a habitual postura de afirmação e quem ser Lazro um descendente directo de Albert Ayler. A música é suave, introvertida e dá-se tempo. Com o fluir das interacções entre o contrabaixo (ocasionalmente dobrado por voz) e o saxofone barítono (tocado, sobretudo, nos agudos) a intensidade vai subindo e tudo cola como se houvesse composições – não há, toda a música é improvisada. Pelo meio sucedem-se os harmónicos operados pelo arco nas cordas, um “overblowing” saxofonístico que parece impossível e aquele tipo de sons combinados (respirações, onomatopeias, raspadelas, batimentos, notas falsas) que só podem ser obtidos com técnicas não-convencionais. Magnífico!