Billy Hart Quartet: “One is the Other” (ECM)

Rui Eduardo Paes

Ora aqui está um disco – o segundo do Billy Hart Quartet na ECM, e o melhor dos três editados por esta formação com uma década de existência – que tem tudo para agradar. E logo em primeiro lugar porque revela o espírito de equipa do líder, baterista histórico do jazz que ouvimos com Miles Davis, Herbie Hancock, Wes Montgomery, Stan Getz e McCoy Tyner e que sabe o que tem a fazer para “colar” um grupo e suscitar interacção, e porque o seu típico trabalho de pratos é aqui levado a um especial nível de primor.

Além disso, “One is the Other” mostra porque é que juntar o saxofonista Mark Turner e o pianista Ethan Iverson era logo desde o início uma boa ideia. Turner é um herdeiro do saxofonismo cool e desse gigante do tenor demasiadas vezes esquecido que foi Warne Marsh, com a particularidade de o seu fraseado muito cerebral (no bom sentido) ser sempre desconcertante, e Iverson, mais conhecido pelo seu trajecto com o trio The Bad Plus, é um dos mais intrigantes cultores do piano na actualidade. Aliás, a sua introdução a solo no tema “Lennie Groove”, em homenagem e sob a influência de Tristano, desarma-nos logo na abertura do CD. Discreto, mas essencial para os entrosamentos conseguidos, está lá também Ben Street no contrabaixo. Pois, não são precisos grandes estardalhaços para fazer música desafiante…