Katja Cruz feat. Oliver Lake: “Hexaphone: The Cosmology of Improvised Music” (Rudi Records)

Rui Eduardo Paes

A sensação que logo nos assalta ao começar a ouvir este disco, e que permanece depois da sua audição, é a de que os elementos em conjugação no projecto “Hexaphone” não chegam a ser arrumados e efectivamente relacionados. A música é uma coisa e outra, e outra ainda, nunca uma unidade. O contrário, afinal, dos próprios pressupostos conceptuais deste trabalho da cantora austríaca de origem latina Katja Cruz, inspirados nos “corpos platónicos”, ou seja, nos modelos geométricos que desde a antiguidade grega representam a perfeição simétrica e estética.

Os vocalismos de Cruz raramente fogem aos estereótipos do costume, somando-se uma exasperante recusa em deixar espaços e “sair de cena”. Já os sons electrónicos e as imagens vídeo (que podemos apreciar no DVD que integra a edição) de Patrik Lachner têm parcimónia e um indubitável bom gosto. Se a guitarra de Andrea Massaria é oportuna e inteligente, o baterista Howard Curtis não consegue fugir ao óbvio. Patrick Dunst suscita algum interesse com a sua forma esquemática de tocar o sax alto, o clarinete baixo e a flauta, mas no que a sopros diz respeito as atenções são focadas no convidado especial Oliver Lake, saxofonista de méritos superiores que aqui surge, infelizmente, algo deslocado, como uma carta fora do baralho. A música não é má, não senhor, mas o certo é que lhe faltam argumentos verdadeiramente convincentes…