Pedra Contida: “Xisto” (JACC Records)

Rui Eduardo Paes

O mote de “Xisto” foi a coadunação do quinteto constituído por Marcelo dos Reis (guitarra, taças cantantes, voz), Angélica V. Salvi (harpa), Nuno Torres (saxofone alto), Miguel Carvalhais (electrónica) e João Pais Filipe (bateria, percussão) com a quietude acústica natural encontrada na residência artística que estes músicos fizeram em Cerdeira, uma aldeia da Serra da Lousã. Daí, também, o nome do disco e do próprio grupo.

O que ouvimos é uma música cheia de respirações e transparências, construída à volta de texturas e timbres numa análise demorada dos sons que chega, por vezes, a momentos de inefável beleza. O foco, no entanto, é impreciso, ora entrando pelos domínios da escola reducionista, ora aproximando-se da electroacústica “lower case”, ora adoptando formas de improvisação, e de ligação do improvisado com o composto, mais convencionais, se bem que sempre num registo suave. Ou seja, parece estar à procura de uma identidade própria e o certo é que tal nunca chega a acontecer. Não fora isso e seria uma excelentíssima mostra do que pode a nova geração de músicos exploratórios portugueses (Salvi é espanhola, mas vive no Porto há anos suficientes para pertencer à prata da casa). Assim, fica-se por ser um bom disco a que vale a pena dar atenção.