A/B

1982: “A/B” (Hubro)

Hubro

Gonçalo Falcão

Mais um disco de cinco estrelas para os 1982: será problema meu? Este novo lançamento, intitulado “A/B” (lado A e lado B, como nos LPs, com o lado A feito de uma peça longa e o B de temas mais curtos), apresenta mais uma ideia interessante, que é a de ouvir o resultado de improvisações anteriores (particularmente das sessões do disco inaugural do trio, “Pintura”) e a partir desses materiais construir arranjos para um grupo de sopros.

Assim, o trompetista Stian Omenås abriu a música que tinha surgido por composição intuitiva, no momento, e arranjou-a para um sexteto de sopros constituído por Fredrik Ljungkvist (Atomic), Erik Johannessen (Jaga Jazzist), Sofya Dudaeva, Hanne Liland Rekdal, Matthias Wallin e Stian Omenås. Na parte “B” regressamos ao trio no seu formato habitual, Nils Økland com a sua rabeca multifónica, Sigbjørn Apelande trocando o órgão Wurlitzer e o de fole pelo piano e o harmónio e Øyvind Skarbø mantendo-se na bateria (usada de forma discreta) e na percussão.

A música continua lenta, ultra-lírica, cheia de espaço e com formas musicais interessantes que nunca parecem ter sido feitas apenas por três músicos. Totalmente improvisada, soa perfeita, como se tivesse sido laboriosamente planeada em pauta. Os 1982 são, sem dúvida, um dos meus grupos favoritos da actualidade e ainda conseguem soar melhor ao vivo do que em disco. Precioso.

  • A/B

    A/B (Hubro)

    1982

    Nils Økland (violino, violino hardanger); Sigbjørn Apelande (harmónio, piano); Øyvind Skarbø (bateria, percussão) + Fredrik Ljungkvist (clarinete); Sofya Dudaeva (flauta); Hanne Liland Rekdal (fagote); Erik Johannessen (trombone); Mattias Wallin (corne tenor); Stian Omenås (condução)