Hugo Trindade: “Depart” (edição de autor)

Rui Eduardo Paes

Para uma primeira incursão discográfica, esta do guitarrista Hugo Trindade muito promete para o futuro. O que chama desde logo a atenção é a qualidade das composições do próprio e, ainda mais, dos arranjos que fez a temas de Carlos Bica (“Believer” e “Iceland”), Mário Delgado (“I’m a Poor Lonesome Cowboy”) e Mário Laginha (“A Menina e o Piano”), que não tanto das suas prestações na guitarra. Na variante eléctrica como na acústica, estas ainda denotam o peso das influências de Pat Metheny e Kurt Rosenwinkel, o que torna Trindade demasiado igual a outros seguidores destas figuras.

Ponto igualmente a favor de “Depart” é a combinação instrumental. As presenças de um acordeão (João Barradas), um trombone (Ruben da Luz) e, por vezes, um violoncelo (Ângela Carneiro) e uma voz (Ana Amaro) possibilitam situações tímbricas de cativante riqueza. O CD equilibra-se entre momentos de excelência e outros em que tudo soa demasiado redondo, limpo e conformado, o que faz com que a audição vá da surpresa ao desapontamento, ou vice-versa. Em destaque natural está o magnífico acordeonista que é Barradas, e tanto a acompanhar, a criar atmosferas e a solar. Se se fizer um “lifting” ao que aqui vem, teremos projecto!