Coreto: “Mergulho” (Carimbo Porta-Jazz)

Rui Eduardo Paes

Na sua segunda incursão discográfica, o Coreto comprova tudo o que deixou indicado no seu primeiro álbum (“Aljamia”, de 2012) e vai mais adiante. Ou melhor: ressurge para apresentar algo de novo e diferente, não se contentando com continuar com uma fórmula que se revelou bem-sucedida. Se antes tivéramos o Mediterrâneo segundo a perspectiva de João Pedro Brandão, desta vez as composições pertencem a AP (iniciais com que se assina o guitarrista António Pedro Neves), que entretanto integrou o ensemble e aqui o dirige e orquestra.

Brandão continua no alinhamento, assim como outros músicos que reconhecemos da Orquestra Jazz de Matosinhos, casos de José Pedro Coelho, Rui Teixeira, Susana Santos Silva, Andreia Santos e Daniel Dias. Músicos com experiência nas, e um especial interesse pelas, formações de grande formato, e sem dúvida que o que aqui vem se enquadra na tradição do chamado “bigbandismo”. A diferença está na relativamente menor dimensão do grupo (12 elementos), o que lhe permite – e isso é amplamente explorado – a mobilidade de um mais pequeno combo. São dois os grandes factores que nos mantêm agarrados à audição da excelente “Suite Terra”, que constitui o coração do CD: um é a escrita de AP, que sabe manter a intriga em suspense, e o outro é o próprio Coreto enquanto entidade colectiva. Estes 12 tocam fantasticamente juntos…