Louis Sclavis Quartet: “Silk and Salt Melodies” (ECM)

Rui Eduardo Paes

O quarteto de Louis Sclavis em “Silk and Salt Melodies” é simplesmente a adição de um elemento extra – a percussão de Keyvan Chemirani – ao seu Atlas Trio. O que quer dizer que há aspectos em comum na música tocada com este último (um jazz europeu em que são perceptíveis as influências do rock e da música erudita), mas também está muito presente o factor que levou a que não fosse, este disco, mais um “opus” do projecto que partilha com Gilles Coronado e Benjamin Moussay. E que factor é esse? Um certo etnicismo de conotação mais “world music” do que propriamente “terceiro-mundista”, aquela que o jazz integrou nos anos em que andava à procura da sua identidade pan-africana. Pois: Chemirani é iraniano e os seus instrumentos neste disco são os tradicionais zarb e tombak.

Quer isso dizer que estamos algo distantes de um álbum como “Sources” (Atlas Trio)? Quer. E significa também este bónus de referência centro-asiática que a música de Sclavis muda relativamente ao que lhe é habitual? Não. Afinal, já nos idos tempos em que o clarinetista tocava com o colectivo Workshop de Lyon havia a formulação de um “folclore imaginário”. O que aqui vem não constitui, portanto, uma verdadeira surpresa, tanto relativamente ao passado de Sclavis como a outras práticas actuais – há, inclusive, certas coincidências com o trio Azul de Carlos Bica ou com os Pachora de Jim Black. Com uma diferença que importa assinalar: regra geral, impõe-se um balanço pausado e intimista que convida à contemplação. O ideal para ouvir enquanto observamos as ondas do mar neste início de Outono em que ainda faz calor.