Marco Santos: “Ode Portrait” (Sintoma Records)

Rui Eduardo Paes

Sem nenhuma relação com o Marco Santos do blogue Bitaites, ou com os irmãos guitarristas Bruno e André Santos, este Marco é baterista e está radicado na Holanda, o país onde completou os seus estudos. Curiosamente, não em jazz mas em world music, que não é propriamente o que ouvimos em “Ode Portrait”. Com ele estão Laurens Hoppe no fundamental piano, Boris Oud no contrabaixo e o igualmente português Rui Silva nas guitarras, outro dos nossos emigrantes do jazz.

Com uma fórmula composicional que vai sendo muito repetida por estes dias, e que em Portugal se tornou inclusive num paradigma – primado da vertente melódica, com aportações clássicas e da pop –, ou seja, quando tudo fazia prever a pouca originalidade da proposta, o certo é que Marco Santos e os seus companheiros conseguem apresentar, e logo no primeiro “opus”, uma música que arde e que mantém a chama bem acesa do início ao fim. Os temas são rápidos ou médio-rápidos, com malhas baterísticas que incorporam mesmo estratégias do drum ‘n’ bass ou do rock, e se a escrita tropeça amiúdes vezes nos motivos ornamentais, o desempenho performativo, esse, solta-se, convence e até nos chega a entusiasmar. Agora, só falta sair da caixa.