Nuno Marinho: “DNA” (Nuno Marinho Music)

Rui Eduardo Paes

Aquele que foi escolhido como o Melhor Instrumentista do concurso de escolas da edição de 2010 da Festa do Jazz no S. Luiz tem agora disco (o segundo, depois de “Letting Go… The World of Make Believe”) a circular que demonstra bem tanto os motivos que o levaram a ganhar esse prémio como a rápida e ascendente evolução que sofreu de então para cá. Nuno Marinho é um guitarrista de mão cheia, com sofisticação técnica e uma sensibilidade especial. A influência que nele tem Pat Metheny é óbvia, e o jazz-funk-rock do seu trio com Augusto Macedo (baixo eléctrico) e Diogo Leónidas (bateria) tem contornos algo ortodoxos, mas é uma visão própria e com argumentos distintivos fortes que está plasmada neste álbum.

Todos da autoria de Marinho, os temas são funcionais, deixando o foco do que vai acontecendo na improvisação. Esta é intensa e objectiva, fluindo com desenvoltura, ideias e propósito. Os tempos mais lentos e introspectivos são a praia deste músico de Coimbra hoje a viver em Lisboa: “Abandono” e “Bruised, Battered and Broken” são peças que apetece ouvir várias vezes seguidas, conseguindo fazer da tristeza uma emoção boa. Ainda assim, a identidade deste projecto está em faixas como  “Rock Da Bop” e “Playful Bites”. É nelas que a guitarra de Nuno Marinho se excede.