Jorge Moniz: “Inquieta Luz” (Sintoma Records)

Rui Eduardo Paes

É sempre gratificante ouvir jazz português com esta qualidade de execução, mas frustrante se torna quando, como neste “Inquieta Luz”, o novo disco de Jorge Moniz na Sintoma Records, a música insiste em não definir uma identidade própria. Com Luís Figueiredo nos teclados, Mário Delgado na guitarra, João Custódio no contrabaixo e as vozes de Joana Espadinha e Paulo Ribeiro em dois dos temas, o que encontramos passa por um funk-jazz que poderia ter sido concebido na década de 1970, temas afadistados, um redondíssimo e que pouco adianta “mainstream” e incursões electro mais arrojadas, mas sem enquadramento. Ou seja, se há opções duvidosas, o pior está no défice de unidade.

O álbum quer ser muitas coisas e acaba não sendo nenhuma em especial, como se Moniz tivesse querido explorar ao máximo a oportunidade editorial que teve em prejuízo da própria consistência da obra. É pena, porque estes músicos sabem mesmo tocar. O que já é uma boa razão para não deixarem este título passar-vos ao lado.