Luiz Moretto Quintet: “Vampyroteuthis Infernalis” (Slam)

Rui Eduardo Paes

Lembram-se do Alípio C Neto do IMI Kollektief, dos Wishful Thinking e do álbum “The Perfume Comes Before the Flower”, saxofonista brasileiro que viveu durante alguns anos em Portugal, antes de se mudar para Itália? E lembram-se de Luiz Moretto, violinista igualmente do Brasil que trabalhou com as comunidades africanas de Lisboa, interessado em estudar os fundamentos no continente-mãe da música popular do seu país (tema do doutoramento que está, de resto, actualmente a fazer no King’s College de Londres)? Pois ei-los aqui reunidos, no quinteto do segundo, cujo integra uma secção rítmica formada por parceiros habituais de Neto: o vibrafonista Francesco Lo Cascio, o contrabaixista Gianfranco Tedeschi e o baterista Marco Ariano.

A fórmula não é habitual, se bem que comece a dar frutos (projectos recentes de António “Panda” Gianfratti e Thomas Rohrer): cruzar a música popular de raiz das terras de Santa Cruz com a improvisação de matriz directa (o caso presente) ou indirectamente jazzística – com Moretto, de resto, a trocar com frequência o violino pela vernacular rabeca. O resultado? Imaginem uma versão tropicalista e actualizada do Revolutionary Ensemble de Leroy Jenkins com Karl Berger e Kalaparusha Maurice McIntyre e estarão lá perto. O título do disco, referente à pouco vista lula gigante dos mares profundos, não podia ser mais apropriado…