Spinifex: “Hipsters Gone Ballistic” (TryTone)

Rui Eduardo Paes

Tivesse eu ouvido este disco a tempo de o incluir nos Melhores de 2014 e lá estariam. Trata-se de mais uma das frentes de acção do contrabaixista e baixista eléctrico português Gonçalo Almeida, juntamente com um punhado de improvisadores de Amesterdão, a saber Gijs Levelt (trompete), Tobias Klein (saxofone alto), Jasper Stadhouders (guitarra) e Philipp Moser (bateria). Trata-se de um free punk-metal-jazz que tem mais que se lhe diga, e designadamente a utilização de ritmos da tradição carnática. Digamos que a banda faz com a música da Índia o que os igualmente holandeses The Ex estão a fazer com a etíope…

Se em “Hipsters Gone Ballistic” encontramos o núcleo base do projecto em quinteto, tem havido algumas variantes do mesmo, como Spinifex Orchestra, Spinifex Tuba Band e Spinifex Indian Spin. Este ano, com o grupo a comemorar o seu 10º aniversário, acrescentar-se-á mais uma em digressão que, infelizmente, não passará por Portugal: o Spinifex Maximus, com a junção de sete outros músicos. O curioso é que, com cinco elementos apenas, o efeito aqui prensado é de uma “big band”. Mas ainda que a enunciação dos temas seja épica, com a intensidade e os decibéis a subirem para o vermelho, os improvisos e as desconstruções surgem com um nível de detalhe e subtileza que julgaríamos impossível neste tipo de abordagem. Quando chegamos ao fim do disco, chegamos entusiasmados e com o músculo coronário em stacatto.