David Torn: “Only Sky” (ECM)

Gonçalo Falcão

Partindo de onde Robert Fripp tinha deixado o uso de “delays” prolongados em “No Pussyfooting” (na altura feitos artesanalmente com um sistema de banda magnética e dois gravadores de bobinas, desenvolvido por Terry Riley e Pauline Oliveros), David Torn lança-se a este novo projecto cuja música também assenta sobre ciclos, mas com o recurso à tecnologia actual. Sozinho com a guitarra, usa “loops” criados pelos pedais para ir instalando outros sons e solando por cima. “Only Sky” não é um disco típico da ECM, pois a música é abstracta e experimental, com improvisações que exploram as sonoridades estranhas dos processadores da guitarra.

Torn recorre a uma grande variedade de alterações ao som. Raras vezes conseguimos distinguir algo que seja característico da guitarra eléctrica e esta, na maior parte das vezes, está dedicada à criação de ambientes. Este CD mostra que Torn conhece bem a experimentação neste capítulo mais próximo do rock, de Fripp a Ash Ra Tempel. Muito detalhado, impressiona principalmente pelo capacidade de controlo total dos efeitos e pela beleza paisagista da música, que soa bem mais alegre, forte e original do que a aridez fria da fotografia da capa poderia deixar antever.