Alberto Vilas Quinteto: “Crónica Cromática” (edição de autor)

Rui Eduardo Paes

Vive bem perto de nós, na Galiza, e “Crónica Cromática” foi mesmo gravado em Portugal (Vila Nova de Gaia), mas o pianista e compositor Alberto Vilas continua a ser-nos um desconhecido. Merecia mais, pois é um – e não são muitos – dos músicos que em Espanha vão contrariando a hegemonia de um jazz escolástico, conservador e sem ideias. As suas origens estão na música clássica, o que desde logo se percebe, e passou por dedicações à tradição popular e ao rock, o que também se torna evidente, mas foi o jazz que o conquistou. Fez os seus estudos com Abe Rábade, esse sim, já bem conhecido por cá. E o que nos propõe? Uma música fresca, bem tocada e imaginativa, embora pouco disposta a riscos e ora moldada pela sonoridade típica da ECM (nesse aspecto fazendo lembrar o António Pinho Vargas da década de 1980), ora afiliando-se naquele jazz que hoje vai seguindo os preceitos do cool, a exemplo de Mark Turner.

O quinteto tem os seus alicerces nos dois instrumentos harmónicos, acrescentando-se a guitarra de Felipe Villar ao piano do líder, com Rosolino Marinelo a expor as melodias nos saxofones alto (um alto por vezes rugoso, rouco, aspirando a ser tenor) e soprano, e o par rítmico de Juansy Santomé e Javier Barral, respectivamente em contrabaixo e bateria. O que estes revelam ao longo dos 11 temas faz-nos desejar que lhes tivesse sido proporcionada uma maior liberdade de intervenção, mas esta está confinada a Alberto Vilas – um Vilas que, em compensação, soa belissimamente. Acaba, assim, por ser a composição a impor-se no disco e esta tem argumentos bastante curiosos e convincentes. Isso apesar de, aqui e ali, ceder a clichés e a tiques. Atenção à excelente arte gráfica da embalagem, envolvendo “design”, pintura e fotografia…