Jorge Nuno /Marcio Gibson: “Hãl” (Bambalam)

Rui Eduardo Paes

Enquanto membro da banda Signs of the SIlhouette, Jorge Nuno fez já um par de digressões pelo Brasil, mas foi a sós que o guitarrista de Lisboa se encontrou, em S. Paulo, com o baterista Marcio Gibson, figura de topo da cena da música improvisada daquela cidade. O encontro não surpreende, dado que, também em Portugal, Nuno e o projecto em que costuma estar envolvido, apesar das conotações deste com o rock psicadélico, tem habituais associações com improvisadores, convidando o contrabaixista e baixista Hernâni Faustino, ou este e a violoncelista Helena Espvall, para os seus concertos. De resto, a componente improvisacional dos Signs of the Silhouette é bem maior do que habitualmente encontramos nos circuitos que o grupo percorre.

Não surpreende igualmente que Jorge Nuno intervenha neste disco segundo as premissas do psicadelismo. A guitarra que ouvimos está carregada de “fuzz” e esvoaça por meio de um generoso uso dos pedais de “delay” pelas estratosféricas dimensões da introspecção. O contexto de livre-improvisação liberta-a, no entanto, muito particularmente, acicatada pela proactiva bateria de Gibson, que encontramos aqui num registo mais pulsativo e rítmico do que lhe é habitual. Em suma, um bom álbum (editado em vinil, o que é sempre uma óptima ideia), esteticamente inclusivista e propiciador daquele tipo de viagem a que Coltrane chamou de “Ascension”…