Eduardo Cardinho Quinteto: “Black Hole” (Carimbo Porta-Jazz)

Rui Eduardo Paes

Durante muito – demasiado – tempo, o jazz nacional esteve desprovido de vibrafonistas. O único que se destacava era Jeffery Davis, músico nascido no Canadá que está radicado no Porto desde os 4 anos de idade, circunstância que dele faz um português. Pois o Eduardo Cardinho deste “Black Hole” foi aluno de Davis e para além dele o instrumento começa finalmente a aparecer entre nós com outros nomes. Figura em percurso ascendente no Norte, Cardinho é bem um exemplo da qualidade do ensino ministrado pela ESMAE e do caldeirão de criatividade mantido vivo pela associação Porta-Jazz. Jovem ainda, teve já oportunidade de tocar com figuras de referência como Andrew D’Angelo, Ben Street e Jordy Rossy, entre outros. A sua associação com o acordeonista João Barradas, tendo Nelson Cascais e Bruno Pedroso na secção rítmica, foi um dos pontos altos da sua ainda curta carreira.

O quinteto que aqui se apresenta, completado por José Soares no saxofone alto, Mané Fernandes na guitarra eléctrica, Filipe Louro no contrabaixo e Pedro Almiro na bateria, ganhou o Prémio Jovens Músicos de 2013, e havia a curiosidade de saber o que fariam a seguir. Pois chegou esse momento, com um disco sólido e bem enraizado na tradição do jazz, sem grandes surpresas a nível de ideias, mas com um domínio técnico invejável e a procura de uma identidade própria. Sempre swingante, e sempre com uma utilização da melodia muito portuguesa (curiosamente, já a harmonia é bastante “americana”), o que ouvimos convence e, por vezes, até arrebata, seja do ponto de vista da performance instrumental, como das composições e dos arranjos do próprio líder. Este grupo vai por bom caminho…