Bruno Pernadas: “Worst Summer Ever” (Pataca Discos)

Rui Eduardo Paes

Este “Worst Summer Ever” foi lançado ao mesmo tempo que o muito diferente “Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them” , e isso porque neste último álbum o jazz que se ouve desemboca na baía da pop – aliás, à semelhança do que acontecera com “How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge”, de 2014. No caso presente, o guitarrista e compositor Bruno Pernadas quis ficar em território especificamente de jazz, apesar de outros sons – em especial os do rock – se ouvirem. E esse jazz é o de confecção “mainstream”, estando em termos de escrita totalmente alinhado com a tendência (dominante) que se pretende acessível e melodicamente sugestiva. É, no entanto, bem mais do que isso o que está lá dentro.

Se “Love is Love” e “Granado Wire”, as duas primeiras faixas do CD, até podem ser entendidas como mais do mesmo, a partir de “September 4th”, e muito especialmente do excelente tema “Intro” (uma introdução que aparece a meio? genial), sentimos que estamos perante um músico com ideias superlativas e pouco comuns, capacidade para as traduzir na prática e visão para juntar a si alguns dos melhores músicos em actividade, como os já conhecidos Desidério Lázaro e João Mortágua, mas também esse novo valor do piano que é Sérgio Rodrigues. Estamos, pois, perante um falso jazz “easy listening”. É como se uma loja pusesse na montra os seus produtos mais coloridos e atraentes, mas menos valiosos, para assim atrair os incautos e então apresentar-lhes o verdadeiro recheio. Dizendo de outro modo: com este álbum vai-se ao engano de forma positiva, sugerindo-se pouco e dando-se muito.