Harry Edwards Trio: “Harry Edwards Trio” (edição de autor)

Nuno Marinho

Harry Edwards é um compositor e pedagogo australiano que vive na Tasmânia, uma pequena ilha no sul da Oceânia. Este é o ponto mais distante do globo de onde eu estou, em Lisboa. O gypsy jazz não tem fronteiras nem limites, é despido de preconceitos e chega a todos, sempre, em toda parte. Independentemente de se viver o estilo de vida “gypsy” ou de se ser um “gadjo” (não cigano); e independentemente de aprender a música com o apoio de uma comunidade ou simplesmente de estudar e praticar sozinho, o gypsy jazz chega onde nós estamos. A distância entre a Austrália do século XXI e a Paris dos anos 1930 é grande o suficiente para permitir que este álbum respire e inspire de uma forma muito original. O Harry Edwards Trio não tem problemas em assumir um estado de espírito mais pausado, relaxado, emocional e meditativo dentro da tradição manouche. Edwards é também um pintor que trabalha em óleo sobre tela e o mentor do site instrucional de guitarra http://studygypsyjazz.com, ideal para iniciantes e músicos mais experientes vindos de outros estilos que gostem de uma abordagem descritiva e completa para as bases da música de Django Reinhart.

Este álbum convida o ouvinte a olhar para dentro. Não se surpreenda se sentir que o tempo está suspenso enquanto ouve o disco. O tempo e o espaço desta música transportam paz, um sentimento muito original e surpreendente dentro da linguagem do jazz cigano, tão acostumado a ser expansivo, alegre e festivo. As partes I, II e III de "Suite para Giniaux" são um tributo à influência que o génio contemporâneo de Sébastien Giniaux teve na música de Edwards. Tal como o seu ídolo, Harry combina o gypsy jazz com muitos outros estilos musicais, como a valsa, o modalismo, os blues e até uma abordagem minimalista (ao jeito de  Erik Satie), na bela canção "Murren". Os títulos dos temas dizem tudo: "Meditation", "We Need Each Other", "It’s Always Now". Ouvindo este álbum irá com certeza pensar sobre o que está escrito no encarte, «um homem disse uma vez: a sua mente é tudo que você tem.»