Claudio Parodi: “Heavy Nichel” (Creative Sources)

Rui Eduardo Paes

Pianista de formação clássica e no jazz, Claudio Parodi vem centrando uma parte da sua atenção na electrónica “lo-fi” e no tratamento de “field recordings” em contexto experimental, como ouvimos no álbum “Prima del Terzo”, e outra em projectos protagonizados pela voz, a sua e de outros, de que são exemplos “I Sent You a Tree, at Night” e “Taken from a True Story”, este em duo com o barítono Thomas Buckner. Um encontro com o contrabaixista Barre Phillips despertou o seu interesse pela livre-improvisação, bem como a vontade de, neste domínio, tocar instrumentos que não os seus habituais. Em “Heavy Nichel” o escolhido é o clarinete turco, à semelhança, aliás, do que aconteceu na sua parceria com Buchner, mas outros estão igualmente a ser envolvidos, com destaque para o saxofone soprano. Com um trajecto ao lado de figuras como Michel Doneda, Ron Anderson, Carla Bozulich, Nels Cline, Patrizia Oliva e Lê Quan Ninh, entre outros, a escolha do formato solo diz muito do seu investimento na exploração sonora como forma de descoberta pessoal.

Tirar do seu contexto um instrumento com tantas conotações étnicas como este clarinete afinado em Sol não é fácil, e daí que não o encontremos habitualmente em outras músicas que não as tradicionais da Turquia. O inevitável acontece, no entanto, e ocasiões há em que identificamos as origens desta curiosa palheta, por mais que Parodi desconstrua a própria identidade do instrumento para dele tirar sons menos comuns por meio de técnicas extensivas. Do mesmo modo, também transparece a costela jazzística do músico, ainda que neste caso muito mais intencionalmente. Por vezes, parece-nos ouvir um Willem Breuker que tivesse transitado para a “new school” da música improvisada. Agora, resta-nos esperar por mais volumes da série Sound is My Shelter…