Rui Filipe Freitas Sexteto: “Axis Mundi” (Carimbo Porta-Jazz)
Até há bem pouco tempo era difícil encontrar vibrafonistas no jazz português. Tanto assim que em qualquer busca do que se fazia com o instrumento entre nós íamos sempre encontrar Jeffery Davis, músico canadiano radicado no Porto desde criança. Hoje alguns já se fazem notar, e Rui Filipe Freitas é um deles, não sendo por acaso que o seu mestre tenha sido, precisamente, o acima referido Davis. “Axis Mundi” é o disco de afirmação na cena do músico de Freamunde e nele encontramo-lo rodeado pela fina-flor da nova geração de praticantes do jazz a Norte, como João Mortágua (saxofone alto), José Pedro Coelho (saxofone tenor), Mané Fernandes (guitarra eléctrica), Filipe Teixeira (contrabaixo) e João Martins (bateria). Bastariam estes nomes na contracapa para garantir o conteúdo e este é de indubitável competência e qualidade.
O álbum tem dois pólos, um regido pela escrita de Freitas, que encontra os seus melhores argumentos nas abordagens líricas e de especial elegância, aqui e ali algo melancólicas, e o outro pela improvisação, que é aquela que garante os melhores momentos do disco, quando a música levanta verdadeiramente do chão. A abordagem não é propriamente escolástica, sendo evidente que o líder da sessão já vai bem mais além no seu percurso pessoal de criação, mas nota-se a vontade de nunca haver um grande afastamento da tradição, e nomeadamente da tradição vibrafonística do jazz. Se, por um lado, dá gosto ver estes seis a swingar, que não simplesmente a manterem um “groove” (essa forma menos jazzo-comprometida de gerir o ritmo), por outro ficamos a desejar que arrisquem mais – que arrisquem aquilo que já ouvimos Mortágua, Coelho ou Fernandes fazer tão brilhantemente em outros contextos. Assim como assim, o que aqui vem é bom e isso para já basta. Mas da próxima vamos querer que o Rui Filipe nos dê mais, porque tem tudo para isso.