João Barradas Home: “An End as a New Beginning” (Nischo / Inner Circle Music)

Rui Eduardo Paes

Depois de uma rodagem por vários palcos para abrir o apetite, eis que no final desta semana sai a público o tão esperado álbum do grupo Home de João Barradas, ainda no rescaldo do primeiro e excelente título do acordeonista português em nome próprio, “Directions”. O que vem em “An End as a New Beginning” é substancialmente diferente daquele disco, ainda que dentro dos parâmetros a que o jovem músico já nos habituou. E diferente, logo para começar, devido à instrumentação escolhida – um acordeão MIDI que soa como um piano eléctrico Fender Rhodes e como um sintetizador (um MiniMoog ao que parece, na faixa-título e em “Between Myself and I”), duas guitarras eléctricas (Mané Fernandes e Gonçalo Neto), vibrafone (Eduardo Cardinho), baixo eléctrico (Ricardo Marques) e bateria (Guilherme Melo).

Igualmente importante para a identidade muito própria do projecto é o tipo de materiais utilizado, resultando num jazz eléctrico com forte presença do rock, da pop (a melodia da balada instrumental “The Human Journey in Search of Meaning” é das mais belas surgidas em Portugal nos últimos anos) e das músicas urbanas dançantes. Virá, aliás, desta última componente o carácter saltitante da maioria das composições, se bem que com uma semelhança nos tratamentos rítmicos que faz com que as ditas pareçam variações de uma mesma fórmula – o procedimento dá unidade ao CD, mas torna-o também algo repetitivo. “Interlude”, com Barradas a solo, foge a esse formato e é outra das jóias que aqui podemos encontrar. Se surgisse mais adiante no alinhamento (é o terceiro tema) permitir-nos-ia recuperar o fôlego quando de tal mais necessitamos, mas provavelmente a intenção é ficarmos em estado de permanente “high”. Além do notável trabalho do líder, destaque para alguns magníficos solos dos seus parceiros, como os de Cardinho em “I’m Going Away for a While, Please Don’t Try to Follow Me” e “Openings and Closings”, de Neto na já referida “The Human Journey…” e de Fernandes em “Homesick”, com os seus imediatamente reconhecíveis processamentos de guitarra. Pois aqui está algo que merece um nosso rendido aplauso.