MIA, 21 de Abril de 2013

MIA

Primeiro os aperitivos

texto Nuno Martins e Fernando Carvalho fotografia Nuno Martins e João Rosado

A realizar no próximo mês de Maio, o Encontro de Música Improvisada de Atouguia da Baleia teve em Abril dois concertos de antecipação do que na altura irá acontecer. Actuaram o Ensemble MIA e o Improchamber, utilizando o mesmo tipo de coordenadas a aplicar…

A apresentação, a 13 de Abril, do Ensemble MIA na Ler Devagar (Lx Factory, Lisboa) foi, para o público presente, uma mostra do que certamente se irá passar em Atouguia da Baleia, na próxima edição do Encontro de Música Improvisada daquela simpática vila do Oeste português. Na ocasião foi lançado o duplo CD que contém o registo das performances ocorridas na edição de 2012.

A fórmula seguida, já com gratificantes provas em três edições do festival, assenta na combinação “in loco” dos músicos por meio de sorteio, à semelhança do que acontecia com as Company Weeks de Derek Bailey. Constituíram-se três emparelhamentos de 17 músicos.

O método proporciona uma criação musical diversificada e conduzida pela improvisação. Pudemos ouvir trombones (Fernando Simões, Eduardo Chagas) com percussão (Nuno Morão, Monsieur Trinité, Pedro Castello Lopes) e um saxofone soprano (Paulo Curado), ou dois contrabaixos (Miguel Falcão, João Madeira) com saxofone alto (Bruno Parrinha) e voz (Maria Radich), entre outras associações.

Cada grupo demonstrou em largos minutos a solidez, as potencialidades e a criatividade que este tipo de abordagem pode proporcionar. O inesperado, a cumplicidade, o não planeado constituem a premissa para o tipo de abordagem do MIA, com o propósito de permitir um livre jogo interno entre os músicos.

A peça final reuniu todos os músicos presentes sob a condução de Paulo Curado, o qual teceu uma trama com as indicações que ia fornecendo, estabelecendo tensões e diálogos, agindo e reagindo. Os nexos criados fizeram todo o sentido e foram gratificantes. E foi isso que os músicos convidados para este ensemble ofereceram – músicos tão distintos quanto Miguel Sá, Abdul Moimême, Manuel Guimarães, Fernando Guiomar ou Miguel Mira, para só referir alguns.

As pistas não podiam ser melhores para o fim-de-semana que se avizinha no final do próximo mês de Maio. (N.M.)

Música de câmara improvisada

 Fernando Simões, Paulo Curado e Paulo Chagas

Antes, no dia 6, outra antecipação do MIA 2013 teve lugar no Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia (antiga Igreja de S. José), em Peniche, com uma formação designada por Improchamber que contou com o envolvimento de Carlos “Zíngaro”, Miguel Mira, João Madeira, Paulo Chagas, Paulo Curado e Fernando Simões.

O público encheu por completo a sala, para assistir à interpretação das três Suites para Sexteto de Improvisadores compostas por Chagas, um dos impulsionadores do Encontro de Música Improvisada, e por este dirigidas ao oboé. De música de câmara, pois, se tratou, embora com as coordenadas da improvisação, abrindo o apetite para quem aprecia as lufadas de frescura anualmente trazidas pelo evento que assim se anunciou na capital.

Particular interesse tiveram os diálogos entre Mira (violoncelo), Simões (trombone) e Madeira (contrabaixo) e as interacções entre “Zíngaro” (violino) e Curado (flauta), propiciando um naipe de novas sensações e momentos inusitados. (F.C.)