The Electrics / The Mattias Ståhls Trio, 9 de Outubro de 2013

The Electrics / The Mattias Ståhls Trio

Com os outros e para os outros

texto e fotografia José Pessoa

Nos últimos dias houve duas oportunidades para ajuizar da versatilidade do contrabaixista Joe Williamson em concertos bem distintos realizados na cidade de Estocolmo. A jazz.pt estava lá e testemunhou a sua capacidade para se colocar ao serviço da música…

No passado dia 3 de Outubro foi possível ouvir Joe Williamson no Hotel Hellsten de Estocolmo, na Suécia, integrado no The Electrics (foto acima), quarteto em que constam também Sture Ericson, saxofonista e clarinetista de grandes recursos e com uma longa experiência na cena jazz de vanguarda, Axel Dörner, um dos principais arquitectos da nova aproximação ao trompete, a este aplicando uma panóplia extensa de recursos sonoros, e Raymond Strid, percussionista com um ouvido atentíssimo à interacção.

O grupo, que já tem 13 anos, lançou recentemente um disco em vinil na Fylkingen, “The Electrics – Fylkingen”, inserindo-se este concerto ainda na promoção desse trabalho.

Foi um enorme prazer escutar de novo a abordagem bem individualizada tanto deste mago do contrabaixo como da formação em causa. A música apresentada nos dois “sets” traduziu bem a marca deste grupo: uma massa sonora com constantes e radicais mudanças de ritmo e de dinâmicas, com descomplexada presença de melodia e algumas referências disfarçadas, mas igualmente plena de sonoridades não convencionais. Neste último caso obtidas graças à técnica e à virtuosidade instrumental de todos os músicos, numa permanente e abundante pesquisa dos limites. 

Disciplina, rigor e harmonia

Mattias Ståhls Trio 

Pouco depois, no dia 7, voltei a encontrar Joe Williamson no lendário clube Fasching com o trio do vibrafonista Mattias Ståhls. Tratava-se do lançamento do último trabalho desta formação, “Jag Skulle Bara Gà Ut”, em LP e em CD da Moserobie. Neste contexto como no anterior, Williamson ofereceu-nos disciplina, rigor e harmonia, em integração perfeita com a percussão de Christopher Cantillo (um baterista bem estruturado, irrequieto e imaginativo) no suporte da riqueza solística de Ståhls.

Este tem gravado abundantemente e em múltiplas formações e contextos: com Fredrik Ljungkvist, Sten Sandell, (de que é um belo exemplo o magnífico álbum de 2008 na Clean Feed, "Grann Musik"), Georg Riedel, Emil Svanängen / Loney Dear, o quinteto de Cecilia Persson, Angles / Martin Küchen, Formo Tre&Metall / Daniel Buner Formo ou o projecto Trondheim Jazzorkester. É um mestre improvisador que estabelece uma ligação especial, inteligente e intensa com o seu instrumento. Ora é subtil e delicado, ora muito rápido e enérgico, oferecendo sempre magníficos exemplos de tensão e repouso e de variedade de elementos.

O trio, que se articula com grande precisão e interactividade, ofereceu um jazz bem enraizado na tradição e com uma enorme sensualidade. Criou com elegância e criatividade uma música que nos deu sempre espaço suficiente para apreciarmos as mudanças e as subtilezas. Fomos ver e ouvir o que anda Joe Williamson a fazer por estes dias, mas é impossível falar dele sem referir aqueles que estão consigo no palco – eis aqui um óptimo exemplo de um músico que está com os outros e para os outros, em prol da música que resulta da conjunção de todos os esforços.